Encontramos nosso médico!!

Eu já comentei aqui que durante todo o processo de aborto por que passei, minha maior frustração era não ter um médico pra chamar de meu. Alguém em quem confiar e para quem eu pudesse voltar a qualquer momento, que me conhecesse e pra quem eu não tivesse que contar todas as histórias de novo, e de novo.

Até tentei uma nova médica, agendada em caráter de urgência pelo plano de saúde, mas não fui com a cara dela. Tanto que foi ela quem solicitou o último ultrassom e não voltei lá para mostrar.

Ao todo, passamos por seis médicos durante o aborto,  assim tive a oportunidade de conhecer os mais variados perfis de profissionais. Se tem como tirar alguma coisa boa nisso tudo, essa foi uma.

Quando tudo já tinha acabado, decidi então marcar uma consulta com algum médico, assim poderia já ter algum de confiança quando voltasse a engravidar. Sendo assim, entre os seis que nos atenderam, eu e o queridíssimo escolhemos aquele com quem mais nos identificamos, que por acaso foi o primeiro que nos atendeu no primeiro dia de sangramento.

Depois de longas semanas de espera, finalmente ontem tive meu encontro com o Dr. Fernando.

E que encontro feliz!

Primeiro de tudo, porque ele lembrou de mim. Lembrou que eu tinha me consultado com ele lá no plantão da maternidade, e aos poucos foi lembrando do meu caso. Aí ele já ganhou uns pontos comigo!

Foi me conquistando aos poucos quando disse que não é a favor da curetagem, que eu fiz certo ao esperar pelo aborto natural, e que se minha menstruação já veio eu estou prontíssima para voltar a tentar.

Mas ele ganhou mesmo o meu coração quando eu perguntei sobre o parto. Confessei a ele que li relatos de parto que tiveram sua participação e ele afirmou: “Pra mim, o parto é seu, seu e do seu marido. Eu estou ali para acompanhar.”

Nunca pensei que fosse ser tão rápido encontrar um médico pra chamar de meu!

Uma vida em bandos

Migration

Boa parte das nossas vidas vivemos em bandos. Desde quando iniciamos a vida acadêmica, aos 5, 6, 7, até completarmos a maioridade, existe um caminho pré-determinado e que se espera que seja percorrido: o primário ensino fundamental 1, o ginásio ensino fundamental 2, o 2º grau ensino médio, a faculdade.

E durante todo esse tempo, pensamos, agimos e sonhamos com coisas que são peculiares ao nosso bando. Temos desejo de andar como os outros exemplares do bando. Na faculdade, deixamos aquele bando adolescente de lado, tão somente para adentrar outro bando: aquele de estudantes universitários de quem é esperado que estudem, façam estágio, namorem, façam festas, e consigam um primeiro emprego nessa nova área de atuação.

Alguns de nós permanecemos no bando dos universitários alguns anos depois de formados, percorrendo o caminho “esperado”: buscar um emprego, mudar de cidade, juntar os trapos com alguém e eventualmente vezes casar. Esse bando de universitários vai seguindo um curso parecido, entre sucessos e fracassos amorosos e profissionais. Sem muita estabilidade, mas com muita força de vontade e muitos sonhos.

Eu acredito que é somente quando decidimos ter filhos (seja planejado, seja no susto) é que nos desgarramos do bando dos universitários e de todas as suas amarras, preceitos, preconceitos e expectativas. Damos um passo para fora desse e de todos os bandos que nos acompanharam até então, trazendo conosco somente o que é melhor de cada um.

Nessa hora, abrimos mão de coisas que nos trouxeram até aqui, sejam elas criadas seja provocadas por nossos bandos anteriores, para criar nosso próprio brand new bando. E ele vai ter sim um pouco de nossa trajetória, mas ele é todinho novo, e vai ser do nosso jeito.

É claro que a partir daí adentramos um outro extraordinário bando, mas muito mais heterogêneo, que é o bando de pais e filhos. E é nesse bando que quero entrar agora.

Me livrando das amarras e preceitos dos meus bandos anteriores, decidi ter um filho sem esperar aqueles grandes e supostos “marcos” da vida adulta. Ok, já viajei o mundo, já encontrei o amor da minha vida, comprei um carro,  já tenho uma casa para chamar de minha (embora não própria), um emprego estável, estou terminando a pós-graduação. Será que preciso ultrapassar mais algum marco para que meus bandos anteriores aceitem esta decisão?

Isso é desgarrar-se do bando: diminuir o peso da opinião alheia e multiplicar o peso dos próprios desejos.

Qual o teu maior sonho?

Foi a pergunta despretensiosa que uma grande amiga me fez, em meados de 2010,  enquanto conversávamos sobre meus dilemas. Naquela época, eu sofria morando muito com o namorado morando em outra cidade, enquanto eu morava em São Paulo, a terra das oportunidades.

Sofria, pois queria estar ao lado dele, sendo que a possibilidade era bem remota de ele ir morar em São Paulo. E eu, com um bom emprego, morria de medo de largar tudo e ir morar com ele. E aí, amor ou carreira? A pergunta martelava minha cabeça noite e dia.

– Qual o teu maior sonho? – ela me perguntou no meio da conversa.

– Ter filhos. – respondi sem pensar.

Depois, pensei mais e tenho milhares de sonhos: crescer na carreira, viajar, ter um emprego que me faça viajar muito, casar, ter uma casa, ver minha mãe crescer na profissão dela, ganhar na loto… a lista é infinita.

Mas ter filhos, assim como foi a resposta à minha amiga, é sim o meu maior sonho sem pensar. Desde pequena.

– Então, se este é o teu maior sonho, traça um plano e vai atrás dele!

Ela pode não ter percebido, mas essas palavras foram um grande incentivo pra mim. Depois disso, decidi colocar um prazo na minha estada em São Paulo, e foi aí que surgiu a vaga, me candidatei, viajei duas vezes mais 800 km em bate-volta para o processo seletivo, fui aprovada e então vim de mala e cuia para cá.

É isso: tracei um plano e estou indo atrás dele.

The Bemquesequis’ List

Source: facebook.com via Pamela on Pinterest

Primeiro dia de 2012, hora de fazer aquelas listas de ano novo. Não lembro de ter feito muitas listas de resoluções em anos anteriores. Pelo menos não lembro de tê-las posto no papel. Acho que muito por medo de não conseguir cumpri-las, ou de viver sob a assombração de TER QUE cumpri-as. Já listas mentais, foram muitas… todas devidamente adaptadas, ampliadas e cortadas ao longo do ano, claro!

Como esse blog é um espaço para falarmos de nosso tão sonhado bebê, vou fazer uma lista de coisas que pensamos em fazer quando ele estiver por aí:

  • Decorar um quarto sem muitas frescuras, mas muitas cores
  • Ter o acompanhamento de uma doula
  • Descobrir o sexo do bebê somente no dia do nascimento
  • Fazer um churrasco-fraldas em vez de um chá de bebê para poder reunir amigos e amigas
  • Engrossar o pé de meia
  • Levá-lo para a chácara dos avós assim que ele tiver condições de viajar
  • Caminhar com ele no meio das araucárias e, se for época, catar pinhão
  • Ouvir muita música
  • Ler muito juntos
  • Tirar muitas fotos
  • Fazer um cartão de Natal (ou talvez em outra época do ano, quem sabe?) e enviar por correio a todos os queridos
  • Registrar aqui no blog nossas primeiras conquistas juntos
  • Trocar de carro
  • Ter uma biblioteca na sua altura, com as capas dos livros voltadas pra frente
  • Reservar um pedaço de parede para extravasar na pintura
  • Convidar cada um de seus (quatro) primos para fazer um desenho para decorar o seu quartinho
  • Fazer muitos programas a três (ou a quatro, quando for possível incluir gatos)
  • Mamadas em livre demanda (sempre que possível), até que ele não queira mais
  • Fazer programas exclusivos de pai e filho (e o mesmo de mãe e filho)
  • Levar ao Cinematerna
  • Passear por aí de sling

Tudo isso e mais um pouco, não necessariamente nessa mesma ordem.

Feliz 2012!

E agora?

E daí que decidimos ter nosso primeiro filho. E agora, quais os próximos passos?

Como toda virginiana, gosto sempre de ter um plano.

Mas, traindo a minha linhagem, nem sempre isso quer dizer que eu vá executá-lo.

Quer um exemplo?

Atividade física.

Quero ser uma grávida em forma, saudável. Me matriculei na academia, três vezes por semana. Muito bem, você diria (você aí, meu leitor imaginário). Mas aí é que tudo se complica: em 2 semanas, só fui 3 vezes. Acho que vou lá na acadimia perguntar se eles têm um plano pra 3 vezes a cada 2 semanas, que tal?

Well, well, falando sério agora:

Agendar uma consulta com minha médica. Isso sim tenho que fazer o quanto antes. Sei lá, né, pra já ir vendo se tá tudo certo com a saúde, e coisa e tal (oi, virgem?). Sei que ela vai ficar toda boba, afinal, desde os 14 que vou lá.

Bom, é isso e sexo, acho, que posso fazer desde já para tirar o projeto babyboom do papel.