“Toda criança traz consigo um pedaço de pão”

Bem antes de decidir engravidar, eu li essa frase uma vez no Blog da Ligia. Achei muito bonito, e com muito fundo de verdade.

Já vi muitos casos de gravidezes inesperadas e que no fim tudo se ajeita. Muitas vezes as coisas ficam melhores do que estavam antes.

Ultimamente, tenho vivenciado na prática esse ditado. (será um ditado?)

Minha gravidez foi super desejada, mas nunca parei para fazer as contas se nossa situação financeira seria boa o suficiente para sustentar um bebê. Essa frase me influenciou muito, desde a primeira vez que li.

Não que a gente esteja precisando, sei que íamos dar o nosso jeito para arrumar a casa e preparar um enxoval até dezembro para receber nosso filhote.

Mas os pedaços de pão começaram a aparecer!

Primeiro foi o quarto. Meus sogros se ofereceram para nos presentear com os móveis. Depois, foram os diversos presentinhos (e eu dando baixa no check list do enxoval). E então eu fui a Brasília visitar minha irmã e voltei de lá carregada com as coisas que foram de minhas sobrinhas: bebê conforto, suporte para banheira/trocador, moisés, mantinhas, adaptador de cadeira para refeições e um brinquedão.

Na mesma semana, uma querida amiga veio me perguntar se eu estava precisando de alguma coisa, pois queria juntar uns amigos para me dar um presente grande. Por um lado eu fiquei feliz de dizer que eu já tinha bastante coisa, e por outro ela ficou triste porque não sobrou muita coisa para ela poder me dar!

A cereja do bolo surgiu nesse último final de semana. Eu já tinha pedido para a mãe de nosso afilhado guardar umas roupinhas dele pra mim. Ele tem 1 ano e meio, e já usa roupas para 3 anos. E não é que ela simplesmente nos deu TODAS as roupas que o Martin usou até o momento? Sim, TODAS. Desde recém-nascido até 1 ano e meio, isso dá uma quantidade impressionante de roupas! Sem falar que eles moram em uma região fria, então o pequeno usava várias camadas de roupas. Infinitos bodies, macacões, camisetas, conjuntinhos e até calças jeans (muitos nunca usados!). Além de conjunto roupa de cama para berço, mantas, trocadores portáteis, base para o bebê conforto, cueiros, babadores e muitos sapatos.

Nossa, eu fiquei até sem jeito, nem soube como agradecer.

E o Queridíssimo me olhava espantado e com um olhar de “agora tu não vais mais precisar comprar nada, hein?”.

Vai ser difícil conter a vontade de comprar alguma coisinha pro nosso bebê. Até agora eu comprei só duas coisinhas…

Mas vou me contentar em arrumar todas as roupinhas e classificá-las por tamanho (virginiana, prazer!) e dar baixa no meu checklist do enxoval! (um dia falo sobre ele aqui)

 

Ser grávida é….

ganhar presentes!

Eu AMO dar presentes. Adoro pensar na pessoa, imaginar o que ela gostaria de ganhar, tentar surpreender, ou dar algo que ela precise. Quer me ver feliz, é só aparecer na minha frente usando um presente que eu dei!

Acho que por isso mesmo eu também AMO ganhar presente. Que coisa boa pensar que alguém parou pra procurar algo pra mim, lembrou de mim com carinho, e comprou alguma coisinha pra me presentear. AMO mais ainda agora, que estou ganhando muitos e muitos presentinhos pro meu filhote.

Como diz minha mãe “quem meus filhos beija, minha boca adoça”!

Como eu contei outro dia, finalmente consegui ir buscar um presentinho que uma amiga mandou para o filhinho de outra. Ela mora em São Paulo, e em março mandou um presente pela mãe dela, pedindo que eu entregasse para nossa amiga que estava grávida. Pois o bebê nasceu, eu engravidei, fiquei totalmente indisponível e finalmente, quando o bebê já tinha 40 dias, consegui buscar o presentinho e levar para ela. Que rolo, né? Mas o mais legal foi que quando cheguei pra pegar o presentinho dessa amiga, acabei euzinha ganhando dois! Pois a minha amiga falou pra mãe dela “a Deni vai aí hoje à noite, mas compra um presentinho pra ela também”. Fofa! (beijos, Sylsyl). E a mãe dela também me deu um presentinho, dizendo “é só uma lembrancinha, quando o bebê nascer eu te dou o presente mesmo”. Imagina! Ela me deu uma roupinha muito fofa, que de ‘lembrancinha’ não tinha nada!

E hoje teve mais uma dessas. Minha chefe me chamou na sala dela (sempre tremo nas bases, levo bloco, caneta pra anotar) e chegando lá ele me entregou um presentinho. Um parzinho de sapatos de lã vermelhos, coisa mais fofa! E disse que foi a Curitiba, conheceu a feira do Largo da Ordem e ficou apaixonada pelas coisinhas feitas à mão. Achei lindo que ela viu isso e lembrou de mim!

Não posso deixar de mencionar o uniforme tamanho-super-mini do Flamengo, todos os outros sapatinhos, conjuntinho de pagão, bodies, bolsinha quente pra cólica e fraldas que já ganhei dos tios, avós e tias-tortas. Estou adorando os mimos!!!

Aí bate o lado prático-virginiano da pessoa, e decidi que só vou parar pra comprar o enxoval propriamente dito quando estiver lá pelas 36 semanas, e ver o que realmente vai ficar faltando!

Sobre brinquedos para menininhas

Não é de hoje que me incomoda o fato de que praticamente todos os brinquedos infantis são feitos só para meninos ou só para meninas – estes últimos, invariavelmente rosa-choque. Tenho quatro sobrinhos, sendo que o mais velho nasceu há 16 anos e a mais nova, há dois. E percebi, ao longo destes anos, uma gritante evolução do sexismo entre os brinquedos.

FIca mais claro quando olhamos para os brinquedos para meninas. Aqueles jogos, quebra-cabeças, bonecos e aparatos tão legais quando presenteávamos os meninos, agora só encontramos na versão heróis ou princesas. Nada de brinquedos em cores primárias ou neutras. Eles são diretamente relacionados a marcas ou personagens.

Nos Estados Unidos, um grupo se uniu e criou a petição LEGO Friends Petition: Parents, Women And Girls Ask Toy Companies To Stop Gender-Based Marketing (Petição LEGO Friends: Pais, Mulheres e Meninas pedem às empresas que parem com o marketing baseado em gêneros). O movimento surgiu após a LEGO lançar, em dezembro, uma linha de brinquedos direcionada para meninas, com o nome LEGO Friends. Nela, as peças são predominantemente rosa e tons pastéis, e relacionadas a casa, maquiagem e festas. O grupo argumenta que não há necessidade desse tipo de produtos enquanto os brinquedos da LEGO são atraentes para meninas por si só. Acontece que havia anos a companhia vinha direcionando seu marketing aos meninos, com navios pirata, naves espaciais e monstros em geral e sentiu a perda do interesse das meninas ao longo dos anos. A solução foi criar kits mais “femininos” chamados LEGO Friends.

Recentemente a pequena Rylei Maida, com apenas 4 anos, expressou a indignação com esta separação clara entre produtos femininos e masculino nas lojas de brinquedo: “Por quê as meninas têm que ter coisas rosas, e os meninos podem ter brinquedos de todas as outras cores?”. A revolta da pequena traduz a mobilização gerada entre os pais um pouco mais conscientes:

O que os pais querem é que as marcas voltem a produzir brinquedos mais unissex, sem limitar meninos e meninas a um pequeno quadrado de possibilidades. O site The Huffingtonpost produziu um video rebatendo a campanha da LEGO que mostra que as meninas podem, sim, se divertir com as pecinhas da LEGO sem que necessariamente sejam rosas e tons pastéis. Desta forma, conseguem criar o que quiserem, desenvolvendo capacidades motoras, criativas, espaciais e matemáticas.

Por fim, o site lista ainda imagens que mostram como os brinquedos clássicos de nossa infância sofreram alterações rumo a detalhes mais femininos e menos infantis:

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Fonte: HuffingtonPost

Criança, a alma do negócio

Sinopse: “Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?” Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumes. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real, este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Instituto Alana: http://www.alana.org.br/

Aqui, a versão completa.

Dia das Crianças e como encontrar presentes

Criança, a alma do negócio

Todos os anos, desde pelo menos a década de 80, somos invadidos por uma enxurrada de comerciais incentivando o consumo e o “querer mais” nas crianças. Isso pelo menos três vezes ao ano: Natal, Dia das Crianças e Páscoa. E tem ainda o aniversário, que como as marcas não conseguem ainda adivinhar quem está fazendo aniversário, e quando, seguem suas propagandas apelativas fazendo pressão para que a criança “queira” ter isso, aquilo e aquilo outro.

Por isso, quando eu virei madrinha, em 2007, decidi que no Dia das Crianças daria presentes mais educativos ou culturais para minha afilhada. E neste ano não vai ser diferente. Não gosto desse apelo comercial do Dia das Crianças, e não quero que minha afilhada, sobrinhos e futuros filhos esperem de mim presentes megalomaníacos nesse dia – para isso, eles terão sempre o próprio aniversário.

Tudo isso porque ontem saí para comprar um presente de Dia das Crianças para minhas sobrinhas, que têm 4 (afilhada) e quase 2 anos. A que tem quase 2 vai fazer aniversário em outubro, então aproveitei para comprar algo para ela também. Ao todo, foram 3 presentes. Passei quase 1 hora dentro de uma rede de Livrarias procurando livros educativos, interessantes e com um preço interessante. Nada me convenceu. Segui meu passeio no shopping até que me deparei com um quiosque de uma livraria educativa. Qual não foi minha surpresa! Encontrei exatamente o que eu procurava e, melhor, num preço que eu pretendia gastar.

Para a maior, comprei um livro de atividades que ao final tem um monte de adesivos para serem utilizados nas atividades. Para a menor comprei um livrinho de historinha em que os olhinhos da personagem funcionam como “dedoches”. Depois, fui a uma famosa loja de brinquedos e comprei para a aniversariante um boneco daqueles com botões, zíperes e bolsos que ensinam a criança movimentos básicos do ato de se vestir.

Vou listar aqui algumas considerações que fiz ao buscar os presentes para elas:

2 anos

  • Evitar peças pequenas: afinal, ninguém quer saber depois de encontrar no Raio-X um sapatinhod e boneca no meio do peito da criança
  • Estimular os sentidos: com texturas diferentes, muitas cores vivas (de preferência azul, amarelo e vermelho)
  • Não estimular vaidade:  esse apelo elas começam naturalmente a ter a partir dos 3 anos, não precisamos antecipar as etapas
  • Evitar personagens: isso é uma questão pessoal minha, não gosto de ver minhas sobrinhas fazendo propaganda para nenhuma marca ou personagem específica. Por isso, enquanto têm essa idade, acho que para elas não faz diferença se é da barbie, da suzi, ou uma outra boneca super bacana de uma marca menos conhecida (mas com propostas educativas legais)
  • Estimular a interatividade: nessa idade, elas aprendem cada vez mais a interagir com outras crianças e adultos
  • Procurar brinquedos adequados à idade: esta foi uma das minhas maiores dificuldades, pois muitos brinquedos não têm essa informação. E, quando têm, são indicados para bebês (3, 6, 12 e 18 meses), ou para maiores de 3 anos.

4 anos

  • Estimular a alfabetização: essa fase elas começam a descobrir as letras, queres desenhá-las e encontrá-las nas palavras
  • Evitar a vaidade excessiva: produtos de beleza, somente aqueles mais lúdicos, relacionados ao mundo das fadas e princesas (que elas tanto amam nessa fase)
  • Personagens: procurar brinquedos educativos relacionado aos personagens (quando elas tiverem uma preferência muito forte).
  • Incentivar a criatividade: nessa fase, elas começam a desenhar com mais facilidade, com traços cada vez mais definidos. Brinquedos com tinta, massa, peças de encaixe…
  • Eletrônicos I: mini laptops, bebês que andam e falam, bonecos que dançam, instrumentos musicais a pilha; evito esses brinquedos que não servem para nada quando não têm bateria. Não tem presente de grego maior que esses que obrigam os pais a uma manutenção constante.
  • Eletrônicos II: As crianças têm uma imaginação muito fértil, não precisam que os brinquedos façam as coisas por elas. Existem brinquedos não eletrônicos fantásticos que levam as crianças às mais variadas fantasias, sem precisar de luzes, sons e movimentos escalafobéticos.