Em busca do parto normal (parte 4)

Minha peregrinação em busca do parto normal começou antes mesmo de eu engravidar. Comecei a ler muitos blogs sobre o assunto e descobri este mundo em que para parir não basta querer. Um mundo em que os médicos encontram os mais variados motivos para levar uma mulher, que tem plenas condições de parir, a fazer uma cirurgia para dar à luz seu filho. Um mundo em que o que importa é a conveniência do médico, da mulher, da sociedade, em detrimento da saúde do bebê.

Durante todo o processo de aborto, nós visitamos ao todo seis médicos diferentes, e fomos tratados das mais variadas formas. Ao final, decidimos escolher um deles para ser o nosso médico, se gostássemos, claro. Então, na primeira consulta com o Dr. Fernando, a primeira pergunta que fiz foi se ele fazia parto normal, como contei aqui.

Bom, depois que engravidei, entrei numa obsessão em relação ao parto, pesquisava muito, lia muito, assistia a muitos vídeos de parto. Entrei nos grupos de apoio ao parto normal no Facebook, discuti com meninas no Babycenter, conversei muito sobre o assunto com amigos, virei a chata do parto normal.

Analisando minhas opções para o parto aqui em Florianópolis, cheguei à conclusão de que teria que me cercar dos melhores profissionais para garantir que teria o parto do jeito que eu quero. Teria que pagar o chamado do meu médico, e também ser acompanhada por uma doula. Assim, qualquer maternidade que eu fosse teria mais chances de ter meus desejos respeitados.

Foi quando tivemos nosso encontro com aquela que seria nossa doula, que tudo começou a mudar. Não teve muito a ver com o encontro com ela em si. Mas foi o processo por que passei que culminou ali. No meio da nossa conversa, estávamos falando sobre as opções de maternidades aqui na cidade, e comentei: “O que mais me incomoda é que precisamos pensar em tudo isso quando na verdade o parto é um processo natural, né?” E ela concordou, e me perguntou: “Já que você pensa assim, por quê não cogitar o parto em casa?”

E então passamos a cogitar a possibilidade do parto em casa. Queridíssimo se animou, afinal sempre teve uma certa queda pelo parto em casa. Já o peguei várias vezes espiando piscinas infláveis no mercado e tudo!

Nesse momento, tínhamos três opções: 1. clínica humanizada com plantonista; 2. clínica não humanizada com nosso médico; e 3. parto em casa. E essas três opões custariam praticamente o mesmo preço.

Mas algo estava me incomodando: por quê eu preciso de tudo isso, quando na verdade parir vai depender somente de mim e do meu bebê? É claro que eu preciso estar bem acompanhada, mas tenho um marido super bem informado, e realmente disposto a buscar o melhor para nós três.

Chegou o momento em que deveríamos fazer uma escolha. O próximo encontro sobre parto em casa seria dali a umas semanas, também teríamos que dar um retorno e pagar um sinal para a doula. Então, mais ou menos na mesma data seria a palestra de apresentação no Hospital Universitário. E lá fomos nós. E o que eu vi muito me agradou, como contei aqui. Ao mesmo tempo, tivemos algumas vezes que ir à maternidade humanizada, para consultas de emergência, e o atendimento lá não é aquelas maravilhas. Na verdade, é sempre bem desagradável ter que ir lá, sem falar que o banheiro da recepção está sempre sujo. Eu acho que isso diz muito sobre um lugar.

Então, levando em conta essa minha convicção de que parto é um processo fisiológico, que eu me senti super acolhida no HU, que nunca me senti desta forma acolhida na maternidade humanizada, e que as outras duas maternidades da cidade têm uma postura ultrapassada de assistência ao parto, tomamos a decisão: vamos ter nosso bebê pelo SUS, no Hospital Universitário.

Veja bem, eu já ouvi e li relatos positivos e negativos em relação ao HU. Gente que teve um parto maravilhoso, e gente que teve uma péssima experiência. Mas o mesmo ocorre nas outras maternidades da cidade. Também já li muitos relatos que falam o quão indispensável á a função da doula no parto. Eu não duvido. Mesmo. Mas ouvi uma opinião que me ajudou muito a decidir, de uma das meninas que conduziram nosso grupo de gestantes. Ela disse uma coisa que muito me influenciou: que o papel da doula pode muito bem ser feito por alguém de confiança, marido mãe, irmã, até uma grande amiga. E isso fez muito sentido pra mim.

E por fim, o que realmente me fez fazer esta escolha foi o fato de que eu quero passar isso sozinha com o Queridíssimo. Acho que vai ser importante para nós, como pais, como casal, como família, passar por isso juntos, tomando as rédeas do processo.

Ufa! Do dia em que tomamos essa decisão em diante, o parto deixou de ser uma preocupação para mim.

Que assim seja.

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Recém-nascidos engatinham para mamar

Tu estás prestes a ver o que, na minha opinião, é um dos mais belos vídeos sobre recém-nascidos já produzidos. Mostra o quão perfeita é a natureza, e também serve de reflexão: será que nossos instintos não estão sendo subestimados? será que temos espaço no mundo atual para dar tempo ao tempo, para deixar a natureza agir? estamos dando a real importância aos primeiros minutos de vida de nossos bebês? não estaríamos banalizando os efeitos das medicações utilizadas no trabalho de parto? o quanto estamos perdendo no mundo quando banalizamos as cesarianas e a separação bebê-mãe nos primeiros minutos após o nascimento?

Um estudo separou bebês em grupos: bebês com contato ininterrupto com suas mães (parte teve trabalhos de parto com medicação, e parte teve trabalho de parto sem medicação), bebês separados de suas mães 20 minutos após o parto (parte com medicação, e parte sem medicação). O resultado analisado é impressionante. Quando a mãe não recebe nenhuma medicação durante o parto, e o bebê não é separado após o nascimento, ele consegue perfeitamente dirigir-se sozinho ao seio para mamar. Já bebês que sofreram medicação ao longo do parto, e foram separados de suas mães, não demonstram nenhum reflexo para a amamentação.

Veja com seus próprios olhos:

Em tradução livre:

1. Observe agora como um bebê em contato ininterrupto com a mãe, após o trabalho de parto sem medicações;  ele engatinha até o peito, encontra o bico e começa a sugar bem!

2. Bebês neste grupo de contato ininterrupto, após um trabalho de parto com medicações, não engatinharam até o peito; alguns daqueles que engatinhara, sugaram mal.

3. Agora vemos um bebê que não só foi removido para limpeza e medidas após 20 minutos, como também é fruto de um trabalho de parto com medicação.

4. Este bebê não tem senso de direção para a mama, mesmo quando a mãe tenta ajuda-lo; este bebê nunca “apegou-se”.

5. Bebês neste segundo grupo, que foram separados de suas mães mas não-medicados, tiveram uma má sucção em metade dos casos; se os bebês foram ambos separados e medicados, nenhum deles conseguiu suger direito.

6. O reflexo de andar/engatinhar permite ao bebê engatinhas até o peito; um bebê pode engatinhas até o peito por semanas, ou enquanto o reflexo se mantiver intacto.

7. O último bebê é deitado na mãe 10 horas após o nascimento; ela parece saber aonde está indo, e faz muito bem!

(esse vídeo foi divulgado na sexta-feira 19/10 no grupo Parto Natural no Facebook)

 

Em busca do parto normal (parte 3)

Por quê raios eu não quero passar por uma cesariana?

– Porque desde sempre, sempre gostei de deixar as coisas acontecerem naturalmente (nunca gostei de roubar no jogo, sempre detestei aqueles esquemas que as amigas faziam para eu ficar com os meninos de quem gostava, não costumava colar na prova. Sempre quis saber como as coisas se desenrolariam naturalmente);

– Porque decidir a data seria decidir se meu filho vai ser sagitário (adoooro) ou capicórnio (nada contra, Queridíssimo é capricórnio);

– Porque o parto normal tem inúmeros benefícios para a recuperação da mãe, e a adaptação do bebê;

– Porque ao esperar pelo parto normal, terei certeza de que o Ben vai nascer exatamente quando estiver prontinho para atravessar para essa dimensão;

– Porque a cesariana é uma cirurgia. Quem gosta de sofrer uma cirurgia?

– Porque quero ser protagonista do nascimento de meu filho.

– Porque quero estar 100% imediatamente após o parto para receber meu filho, e cuidar dele.

– Porque a cesariana não é uma transição natural para o bebê. De repente ele está do lado de fora, sob holofotes, sendo manipulado por um monte de gente;

– Porque há pesquisas que relacionam cesariana a doenças respiratórias;

– Porque há indícios de que o leite pode demorar mais para descer pois o corpo não entendeu o processo;

Veja bem, se for realmente necessário passar por uma cirurgia para trazer meu bebê ao mundo, assim o farei (já até escolhi uma data: 20/12 – brincadeira, mas é que se é pra pensar nas possibilidades, vamos pensar em todas!). Mas não farei por escolha própria.

Cesária x parto Normal

Esse mundo gestante internético tem umas coisas muito curiosas. Fóruns em sites e redes sociais, por exemplo, mostram a complexidade da fauna materna, a variedade de culturas e opiniões e histórias e diz-que-me-disse. Às vezes pego pra ler só pra rir um pouco. mas muitas vezes fico indignada quando leio, principalmente quando o assunto é via de parto.

Me impressiona a quantidade de pessoas desinformadas, e que, pior, recebem orientações desatualizadas e nem sempre adequadas da equipe de saúde que as acompanha. Hoje encontrei este quadro que mostra, em números, algumas das vantagens do parto normal em relação à cesárea. Não encontrei ainda nenhum infográfico do gênero mostrando quais as vantagens da cirurgia (além é claro, daquelas em que há real indicação).

Além de publicar aqui, e compartilhar no Facebook, postei esta imagem num dos fóruns de que participo no tópico “Sim ao parto cesárea”. Daqui a pouco vou dar um pulinho lá para ver as respostas inflamadas das defensoras da cesárea a qualquer custo.

(imagem: J. Press)

Marina 5 anos, e a cultura da Cesárea

Conversa com minha afilhada Marina, de 5 anos e sua irmãzinha Natália, de 2 e meio:

Marina: – Dinda, você vai ser mãe?

Eu: – Vou. Na verdade já sou, né, porque o Ben já está aqui dentro da  minha barriga.

Marina: – É. Ele ainda é um peixinho nadando dentro da sua barriga.

Eu: – Sim, ele vai crescer até ficar fortinho e nascer.

Marina: – E daí vai ter que cortar a sua barriga pra ele nascer.

Eu: – Não, o Ben vai nascer pela minha pereca.

Marina [olhos arregalados]: – Sério?

Natália [querendo participar da conversa]: – A minha dinda também vai ter um neném pela peleleca.

[Compartilhando] Carta Aberta ao Cremerj

por Melania Amorim

Como médica-obstetra, cidadã e ativista do Movimento pela Humanização do Parto e Nasci-mento no Brasil, venho tornar público o meu repúdio à resolução 266/12 do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), que veta a presença de doulas, obstetrizes e parteiras em partos hospitalares.

Com essa resolução arbitrária e que não se justifica a partir da série de “considerandos” com que o CREMERJ inicia o seu texto, esse Conselho demonstra uma lamentável falta de conhecimento de todas as evidências científicas correntemente disponíveis pertinentes à importância das obstetrizes e doulas em um modelo de assistência obstétrica humanizado e centrado na mulher. Mais ainda, vai contra as diretrizes do Ministério da Saúde e a Política Nacional de Humanização da Saúde.

A participação das obstetrizes (profissionais formadas em curso superior de Obstetrícia) não somente integra o modelo transdisciplinar de assistência ao parto, mas tem demonstrado resultados SUPERIORES a outros modelos, como é bem demonstrado na revisão sistemática da Biblioteca Cochrane: em um modelo de atenção promovido por obstetrizes, as mulheres têm menor risco de hospitalização antenatal, de analgesia regional e parto instrumental. Têm maior chance de partos sem analgesia, parto vaginal espontâneo, maior sensação de controle durante o nascimento, atendimento por uma obstetriz conhecida e início do aleitamento. Adicionalmente, têm menor risco de experimentar perda fetal antes de 24 semanas e menor duração da hospitalização neonatal. A recomendação dessa revisão sistemática é que deve-se oferecer um modelo de atenção promovido por obstetrizes à maioria das mulheres e AS MULHERES DEVERIAM SER ENCORAJADAS A REIVINDICAR ESSA OPÇÃO.

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004667.pub2/abstract;jsessionid=FCDC15CC4DD5578248A98C9F14DA7CDE.d03t04

Em relação às doulas, outra revisão sistemática da Biblioteca Cochrane incluindo 21 ensaios clínicos randomizados e mais de 15.000 mulheres avaliando os efeitos do suporte contínuo intraparto evidenciou que mulheres que receberam esse suporte tiveram maior chance de ter parto vaginal espontâneo, menor necessidade de analgesia de parto, menor risco de relatar insatisfação com a experiência de parto, menor duração do trabalho de parto, menor risco de cesariana, parto instrumental, analgesia regional e nascimento de bebês com baixos escores de Apgar no 5o. minuto. A análise de subgrupo evidenciou que o suporte contínuo intraparto era MAIS EFETIVO quando providenciado por DOULAS!

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD003766.pub3/abstract

Em maio de 2012, eu tive a oportunidade de publicar um comentário para a Biblioteca de Saúde Reprodutiva (RHL) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Dra. Leila Katz, avaliando essa revisão sistemática da Cochrane. Em nosso comentário, PUBLICADO NO SITE DA RHL com o aval da OMS, nós concluímos que TODOS OS HOSPITAIS DEVERIAM IMPLEMENTAR PROGRAMAS PARA OFERECER SUPORTE CONTÍNUO INTRAPARTO, integrando doulas nos serviços de maternidade, UMA VEZ QUE OS MELHORES DESFECHOS MATERNOS E NEONATAIS SÃO OBTIDOS QUANDO O SUPORTE CONTÍNUO INTRAPARTO É OFERECIDO POR DOULAS. Essa estratégia é particularmente importante quando os gestores desejam reduzir as altas taxas de cesarianas em seus hospitais ou países.

http://apps.who.int/rhl/pregnancy_childbirth/childbirth/routine_care/cd0003766_amorimm_com/en/

No país campeão mundial de cesarianas, no qual nos deparamos com a vergonhosa taxa de 52% de cesáreas, que superam 80% no setor privado, situação que se repete no próprio Rio de Janeiro, onde a taxa de cesáreas na maioria dos hospitais privados ultrapassa 90%, o CREMERJ tem se omitido de forma indesculpável e, mais que isso, dá mostras de que pretende alimentar e perpetuar esse modelo perverso que tantos danos e sequelas tem provocado às mulheres brasileiras.
Em vez de combater a epidemia de cesarianas desnecessárias, o CREMERJ fecha os olhos à lamentável INFRAÇÃO ÉTICA das cesáreas SEM INDICAÇÃO MÉDICA, sob pretextos mal definidos por condições não respaldadas pela literatura. Diversos estudos demonstram que as absurdas taxas de cesárea nos hospitais brasileiros não ocorrem por pedido das mulheres, uma vez que a maioria das brasileiras continua demonstrando preferência pelo parto normal. O QUE JUSTIFICA ENTÃO TAXAS DE MAIS DE 90% DE CESÁREAS? Por que, em vez de fiscalizar, indiciar e PUNIR os médicos que ENGANAM suas pacientes e realizam cesarianas desnecessárias, infringindo assim o Artigo 14 do Capítulo III do Código de Ética Médica vigente em nosso país (que veda ao médico a realização de atos médicos desnecessários), o CREMERJ, na contramão das boas práticas baseadas em evidências, quer COIBIR estratégias que comprovadamente reduzem as taxas de intervenções e cesarianas desnecessárias?
Não podemos nos calar diante de tamanha arbitrariedade e tentativa de legislar sobre o corpo feminino, desrespeitando a autonomia e o protagonismo da mulher. O Conselho Federal de Medicina, o Ministério Público e o Ministério da Saúde devem ser notificados dessa tentativa absurda do CREMERJ de transformar o parto em um ato médico e desconsiderar tanto a atuação de outros profissionais no atendimento transdisciplinar ao parto e nascimento como o próprio DIREITO das mulheres de escolher COM QUEM querem ter os seus filhos e quem querem como acompanhantes nessa experiência única e transformadora do nascimento.

Melania Amorim, MD, PhD
Médica-obstetra
CRM – PB 5454CRM – PE 9627
Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG, Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP, Pesquisadora Associada da Biblioteca Cochrane, Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e Coordenadora do Núcleo de Parteria Urbana (NuPar) da Rede pela Humanização do Nascimento (ReHuNa)

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Clique aqui para assinar o Abaixo-assinado Solicitação de posicionamento frente as resoluções 265 e 266/12 do CREMERJ

De como eu nasci e porque acredito no parto normal

Semana passada, conversando com minha mãe, ela comentou como achava deliciosa a sensação de estar grávida. Eu comentei: “deve ser por isso que tu ficou tantas vezes, hein?”. Ela riu.

Detalhe: minha mãe tem 5 filhos, todos de parto normal, sendo que as duas ultimas são gêmeas ( eu e minha irmã). Segundo ela, sempre teve partos muito tranquilos, e não lembra de ter sofrido. (isso que depois meu pai me contou que no parto da minha irmã mais velha ela ficou dois dias em trabalho de parto e perdeu horrores de sangue.)

Então resolvi perguntar como tinha sido o meu parto. Em detalhes, né, porque nesses 30 anos, já ouvi diversas vezes, é quase um folclore aqui em casa. Achei legal compartilhar aqui.

Primeiro, vamos voltar alguns meses no tempo. Meus pais, aos 26/27 anos já tinham três filhos: Elisa, com quase 5; Aline, com quase 4; e Delman Sérgio, com 2 e meio. Todos nem um pouquinho planejados.

Ao final de 1980, minha mãe decidiu que era hora de fazer laqueadura. Foi ao médico, e ele sugeriu que ela esperasse o período de festas para não passar esse tempo em repouso. Em janeiro, quando voltou para a consulta, descobriu que estava grávida novamente! Santa fertilidade!

Aos três meses, ela foi ao médico: “Doutor, eu tenho alguma coisa além desse bebê. Já estou andando feito uma pata!”. Então ele falou que quando completasse seis meses, fariam um ultrasom e veriam o que podia estar acontecendo – naquela época, só se fazia ultrasom com seis meses.

Chegada a hora, descobriram: a outra “coisa” que minha mãe tinha era outro bebê! Como cada bebê estava em uma bolsa diferente, deduziu-se que era um casal: a Ana Luísa e o André Luís (como já contei aqui).

Já que se tratava de uma gravidez gemelar e minha mãe queria fazer uma laqueadura, seu médico decidiu então que fariam uma cesariana no dia 29 de setembro. Mas nós tínhamos outros planos.

No dia 7 de setembro, minha mãe conta que foi levar meu irmão ao banheiro e por lá ficou: a bolsa tinha estourado!

Ela já sabia que o medico dela ia estar viajando nesse dia, mas ele disse que sua equipe era ótima. Então, chegando à maternidade, o medico substituto falou: “nao vou perder um espetáculo desses, ver gêmeos nascendo de parto normal, para fazer uma cesárea!”. Como minha mãe já estava em trabalho de parto, foi feito de tudo para ela ter normal.

Não demorou muito, e minha irmã nasceu. Às 23h25 do dia 7 de setembro de 1981 nasceu a Ana Luísa, com 2,8 kg. A seguir o médico anunciou: “Agora vou precisar muito da sua ajuda, pois o bebê está sentado!”. Foi um momento de tensão, pois já tinham detectado que meu coração era “mais fraquinho” (até hoje tenho “sopro”). Levou mais cinco minutos – uma eternidade em um parto de gêmeos – para que eu nascesse. Cheguei ao mundo pelos pés, às 23h30 do dia 7 de setembro de 1981 pesando 3 kg. Não era o André Luís, e por isso dizem que fiquei quase uma semana sem nome!

Trinta anos atrás, uma gestação gemelar, dois bebês grandes, um gêmeo “com coração fraquinho” e sentado. Nada disso foi desculpa para levarem minha mãe para o centro cirúrgico.