Dia de consulta…

Ontem foi dia de consulta, que hora tão feliz!

Batemos um bom papo com o Dr. do meu <3.

Ouvimos o coraçãozinho do Ben, música para nossos ouvidos!

Mas saí de lá meio borocoxô, por dois motivos:

Primeiro: Estou engordando mais do que deveria. Três quilos da 1ª para a 2ª consulta e 2,3kg da 2ª pra 3ª. Levei um puxão de orelhas! No more brigadeiros pra mim… :(((

Segundo: conversamos sobre o valor que ele cobra pelo chamado. Quase chorei na frente dele quando ele disse!! Mas foi bom ter entrado nesse assunto agora, pois temos até dezembro para nos programarmos e decidirmos o melhor a fazer.

Amanhã tem ultrassom morfológica!

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Cesária x parto Normal

Esse mundo gestante internético tem umas coisas muito curiosas. Fóruns em sites e redes sociais, por exemplo, mostram a complexidade da fauna materna, a variedade de culturas e opiniões e histórias e diz-que-me-disse. Às vezes pego pra ler só pra rir um pouco. mas muitas vezes fico indignada quando leio, principalmente quando o assunto é via de parto.

Me impressiona a quantidade de pessoas desinformadas, e que, pior, recebem orientações desatualizadas e nem sempre adequadas da equipe de saúde que as acompanha. Hoje encontrei este quadro que mostra, em números, algumas das vantagens do parto normal em relação à cesárea. Não encontrei ainda nenhum infográfico do gênero mostrando quais as vantagens da cirurgia (além é claro, daquelas em que há real indicação).

Além de publicar aqui, e compartilhar no Facebook, postei esta imagem num dos fóruns de que participo no tópico “Sim ao parto cesárea”. Daqui a pouco vou dar um pulinho lá para ver as respostas inflamadas das defensoras da cesárea a qualquer custo.

(imagem: J. Press)

[Compartilhando] Carta Aberta ao Cremerj

por Melania Amorim

Como médica-obstetra, cidadã e ativista do Movimento pela Humanização do Parto e Nasci-mento no Brasil, venho tornar público o meu repúdio à resolução 266/12 do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ), que veta a presença de doulas, obstetrizes e parteiras em partos hospitalares.

Com essa resolução arbitrária e que não se justifica a partir da série de “considerandos” com que o CREMERJ inicia o seu texto, esse Conselho demonstra uma lamentável falta de conhecimento de todas as evidências científicas correntemente disponíveis pertinentes à importância das obstetrizes e doulas em um modelo de assistência obstétrica humanizado e centrado na mulher. Mais ainda, vai contra as diretrizes do Ministério da Saúde e a Política Nacional de Humanização da Saúde.

A participação das obstetrizes (profissionais formadas em curso superior de Obstetrícia) não somente integra o modelo transdisciplinar de assistência ao parto, mas tem demonstrado resultados SUPERIORES a outros modelos, como é bem demonstrado na revisão sistemática da Biblioteca Cochrane: em um modelo de atenção promovido por obstetrizes, as mulheres têm menor risco de hospitalização antenatal, de analgesia regional e parto instrumental. Têm maior chance de partos sem analgesia, parto vaginal espontâneo, maior sensação de controle durante o nascimento, atendimento por uma obstetriz conhecida e início do aleitamento. Adicionalmente, têm menor risco de experimentar perda fetal antes de 24 semanas e menor duração da hospitalização neonatal. A recomendação dessa revisão sistemática é que deve-se oferecer um modelo de atenção promovido por obstetrizes à maioria das mulheres e AS MULHERES DEVERIAM SER ENCORAJADAS A REIVINDICAR ESSA OPÇÃO.

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD004667.pub2/abstract;jsessionid=FCDC15CC4DD5578248A98C9F14DA7CDE.d03t04

Em relação às doulas, outra revisão sistemática da Biblioteca Cochrane incluindo 21 ensaios clínicos randomizados e mais de 15.000 mulheres avaliando os efeitos do suporte contínuo intraparto evidenciou que mulheres que receberam esse suporte tiveram maior chance de ter parto vaginal espontâneo, menor necessidade de analgesia de parto, menor risco de relatar insatisfação com a experiência de parto, menor duração do trabalho de parto, menor risco de cesariana, parto instrumental, analgesia regional e nascimento de bebês com baixos escores de Apgar no 5o. minuto. A análise de subgrupo evidenciou que o suporte contínuo intraparto era MAIS EFETIVO quando providenciado por DOULAS!

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/14651858.CD003766.pub3/abstract

Em maio de 2012, eu tive a oportunidade de publicar um comentário para a Biblioteca de Saúde Reprodutiva (RHL) da Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com a Dra. Leila Katz, avaliando essa revisão sistemática da Cochrane. Em nosso comentário, PUBLICADO NO SITE DA RHL com o aval da OMS, nós concluímos que TODOS OS HOSPITAIS DEVERIAM IMPLEMENTAR PROGRAMAS PARA OFERECER SUPORTE CONTÍNUO INTRAPARTO, integrando doulas nos serviços de maternidade, UMA VEZ QUE OS MELHORES DESFECHOS MATERNOS E NEONATAIS SÃO OBTIDOS QUANDO O SUPORTE CONTÍNUO INTRAPARTO É OFERECIDO POR DOULAS. Essa estratégia é particularmente importante quando os gestores desejam reduzir as altas taxas de cesarianas em seus hospitais ou países.

http://apps.who.int/rhl/pregnancy_childbirth/childbirth/routine_care/cd0003766_amorimm_com/en/

No país campeão mundial de cesarianas, no qual nos deparamos com a vergonhosa taxa de 52% de cesáreas, que superam 80% no setor privado, situação que se repete no próprio Rio de Janeiro, onde a taxa de cesáreas na maioria dos hospitais privados ultrapassa 90%, o CREMERJ tem se omitido de forma indesculpável e, mais que isso, dá mostras de que pretende alimentar e perpetuar esse modelo perverso que tantos danos e sequelas tem provocado às mulheres brasileiras.
Em vez de combater a epidemia de cesarianas desnecessárias, o CREMERJ fecha os olhos à lamentável INFRAÇÃO ÉTICA das cesáreas SEM INDICAÇÃO MÉDICA, sob pretextos mal definidos por condições não respaldadas pela literatura. Diversos estudos demonstram que as absurdas taxas de cesárea nos hospitais brasileiros não ocorrem por pedido das mulheres, uma vez que a maioria das brasileiras continua demonstrando preferência pelo parto normal. O QUE JUSTIFICA ENTÃO TAXAS DE MAIS DE 90% DE CESÁREAS? Por que, em vez de fiscalizar, indiciar e PUNIR os médicos que ENGANAM suas pacientes e realizam cesarianas desnecessárias, infringindo assim o Artigo 14 do Capítulo III do Código de Ética Médica vigente em nosso país (que veda ao médico a realização de atos médicos desnecessários), o CREMERJ, na contramão das boas práticas baseadas em evidências, quer COIBIR estratégias que comprovadamente reduzem as taxas de intervenções e cesarianas desnecessárias?
Não podemos nos calar diante de tamanha arbitrariedade e tentativa de legislar sobre o corpo feminino, desrespeitando a autonomia e o protagonismo da mulher. O Conselho Federal de Medicina, o Ministério Público e o Ministério da Saúde devem ser notificados dessa tentativa absurda do CREMERJ de transformar o parto em um ato médico e desconsiderar tanto a atuação de outros profissionais no atendimento transdisciplinar ao parto e nascimento como o próprio DIREITO das mulheres de escolher COM QUEM querem ter os seus filhos e quem querem como acompanhantes nessa experiência única e transformadora do nascimento.

Melania Amorim, MD, PhD
Médica-obstetra
CRM – PB 5454CRM – PE 9627
Professora de Ginecologia e Obstetrícia da UFCG, Professora da Pós-Graduação em Saúde Materno-Infantil do IMIP, Pesquisadora Associada da Biblioteca Cochrane, Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq e Coordenadora do Núcleo de Parteria Urbana (NuPar) da Rede pela Humanização do Nascimento (ReHuNa)

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Clique aqui para assinar o Abaixo-assinado Solicitação de posicionamento frente as resoluções 265 e 266/12 do CREMERJ

Pelo respeito à mulher e suas escolhas.

Eu tenho muito medo de ser desrespeitada no momento mais importante da minha vida, que é o dia em que vou receber o meu filho. Medo de cair em mãos erradas e fazer escolhas contra a minha vontade. Por isso, apoio a marcha, e me arrependo muito de, na minha inércia, não ter saído de casa no último sábado para fazer parte da Marcha aqui na minha cidade.

(Video publicado inicialmente aqui)

Teste da Violência Obstétrica – Dia Internacional da Mulher – Blogagem Coletiva

O que é violência obstétrica?

Pode ser algum tipo de maltrato, uma ação brutal que cause danos físicos, procedimentos invasivos, cortes desnecessários.

Mas pode ser também aquilo que não se vê, que não é palpável. Apenas se sente. Uma resposta rude, falta de atenção proposital, ironia, desconforto. Pode ser desrespeito aos desejos da mulher, a sua opinião, ao seu plano de parto. Desrespeito à natureza, desprezo da capacidade do organismo da mulher, descaso com os sentimentos da mãe e o conforto do bebê.

Será que você sofreu violência obstétrica e não se deu conta? Ou por não ter parado para pensar nisso, ou por não ter conhecimento dos seus direitos?

Para marcar o DIa Internacional da Mulher, os blogs Parto no Brasil, Cientista que Virou Mãe e Mamíferas elaboraram este questionário para ajudar mulheres a avaliarem se sofreram algum tipo de violência em seus partos. É uma pesquisa informal, e os dados serão divulgados no dia 30 de abril.

Bora participar?

Qual a forma de pagamento?

Uma cena que acompanhei no dia em que fui consultar no plantão da maternidade  e que tem martelado na minha cabeça faz dias:

Estacionou à pressas um carro na entrada da maternidade, e do banco do carona saiu uma jovem grávida. Chamou a atenção que ela muito magra, pernas e braços finos e a barriga parecia uma bola de basquete embaixo da blusa. Por isso, fiquei observando e vi que ela se contorcia de dor.

Coube a mim dar o lugar para que ela se sentasse, mas ela se contorcia e não aguentava ficar parada muito tempo.

O rapaz que a acompanhava foi ao balcão da maternidade e disse que ela estava com muita contração, e precisava de atendimento. Deu-se o diálogo:

Atendente: – Qual o plano de saúde?

Rapaz: [olhou para a jovem]

Jovem: – É particular.

Atendente:  – Qual a forma de pagamento?

Rapaz: – Cartão.

Jovem: [se contorce]

Atendente: Não aceitamos cartão de crédito, senhor.

Jovem: [anda de um lado para o outro e diz] – Depois minha mãe vem aqui e deixa um cheque.

Atendente: – Mas aí temos que esperar a médica terminar a consulta agora e perguntar se ela aceita cheque.

O casal se entreolhou, e saiu porta a fora. Lá fora, observei que a jovem, entre uma contorcida e outra, falava ao celular. Não voltaram mais para dentro da maternidade, e não percebi a hora em que partiram. Fiquei com pena, pois estavam prestes a ter um bebê e foram barrados pelos procedimentos da maternidade. Ao mesmo tempo, fiquei tranquila ao lembrar que estávamos perto do Hospital Universitário e lá não lhes seria negado o atendimento (assim espero!).

Defensora do parto em casa morre após dar à luz

Atualização 02/02: Antes de ler este texto, por favor, prefira ler este aqui, do blog Mamíferas: Fazendo a caveira do parto domiciliar

Uma história triste: na Austrália, uma mulher conhecida pela defesa do direito ao parto em casa faleceu um dia após ter sua bebê com ajuda de uma doula. Eu acredito muito que tenha sido uma fatalidade. Mas uma investigação é muito bem-vinda para descobrir se houve algum tipo de erro, ou pré-disposição não investigada antes do trabalho de parto.

Link da notícia no Daily Mail aqui. Tragic: Caroline Lovell died delivering her own baby daughter at home

É um fato muito triste, e que dá mais argumentos àqueles que acreditam que uma mulher não é capaz de dar à luz sem o auxilio de uma equipe médica. Uma coisa que é para ser natural, parte de nossa biologia está sendo transformada em um mito, uma doença, uma situação de alto risco.

Não estou aqui criticando aqueles que optam por ter seus filhos no hospital – longe de mim. Felizmente a ciência evoluiu o suficiente para garantir o máximo de conforto e tranquilidade num momento tão especial na vida da mulher, e de sua familia. Felizmente temos equipes fantásticas nos hospitais Brasil e mundo a fora que revertem situações críticas e garantem a vida de mãe e bebê após complicações surgidas no parto.

O que questiono é somente o fato de que estamos esquecendo, em nossa sociedade, que o parto é para ser algo natural, que ocorre após um processo químico e biológico naturalmente desenvolvido por nosso corpo, e que nossa anatomia é feita para dar à luz.

O último médico com quem me consultei falou “o fato é a mulher não foi feita para menstruar – mas sim para passar a vida alternando entre a gravidez e a amamentação”. Quer dizer, nosso corpo é naturalmente construído para a gestação e o parto.

É claro que há complicações, e por isso torna-se muito mais seguro estar perto de uma equipe médica durante o trabalho de parto. O que aconteceu a Caroline, na Austrália, pode ter uma centena de explicações. Não quer dizer que por que ela, que era ativista do parto em casa, morreu, que outras mulheres correm o risco de falecer se optarem ter seus bebês no conforto e intimidade de seus lares, não é?

Parto em casa: alguns fatos (segundo o Daily Mail)

A Mother and newborn baby
  • Na Inglaterra, 1 em cada 50 bebês nasce em casa e as mulheres são normalmente assistidas por um profissional, como as doulas.
  • Muitas mulheres optam pelo parto em casa pois preferem um ambiente relaxado e familiar, e preferem evitar visitas ao hospital.
  • A segurança do parto em casa é um assunto frequente de debates e muitos experts têm apoiado que esta técnica seja banida.
  • Eles argumentam que as mulheres que dão à luz fora de um ambiente clínico estão colocando a si e a seus bebês em risco.
  • Em muitos países desenvolvidos, o parto em casa declinou rapidamente ao longo do século 20. Nos Estados Unidos, por exemplo, o parto em casa caiu de 50% em 1938 para menos de 1% em 1955.
  • De acordo com a Associação Americana de Gravidez (American Pregnancy Association) os riscos associados ao parto em casa incluem sofrimento fetal,  prolapso do cordão, hemorragia e pressão alta.
  • Novos dados sugerem que o parto em casa subiu cerca de 29% nos EUA impulsionado pela influência de celebridades de Hollywood, melhores medidas de segurança e baixos custos.

Leia mais: http://www.dailymail.co.uk/health/article-2094348/Caroline-Lovell-Home-birth-advocate-dies-delivering-baby-daughter-home.html#ixzz1l3ckWnuy

Se falei alguma besteira, por favor, me corrijam!