Em busca do parto normal (parte 3)

Por quê raios eu não quero passar por uma cesariana?

– Porque desde sempre, sempre gostei de deixar as coisas acontecerem naturalmente (nunca gostei de roubar no jogo, sempre detestei aqueles esquemas que as amigas faziam para eu ficar com os meninos de quem gostava, não costumava colar na prova. Sempre quis saber como as coisas se desenrolariam naturalmente);

– Porque decidir a data seria decidir se meu filho vai ser sagitário (adoooro) ou capicórnio (nada contra, Queridíssimo é capricórnio);

– Porque o parto normal tem inúmeros benefícios para a recuperação da mãe, e a adaptação do bebê;

– Porque ao esperar pelo parto normal, terei certeza de que o Ben vai nascer exatamente quando estiver prontinho para atravessar para essa dimensão;

– Porque a cesariana é uma cirurgia. Quem gosta de sofrer uma cirurgia?

– Porque quero ser protagonista do nascimento de meu filho.

– Porque quero estar 100% imediatamente após o parto para receber meu filho, e cuidar dele.

– Porque a cesariana não é uma transição natural para o bebê. De repente ele está do lado de fora, sob holofotes, sendo manipulado por um monte de gente;

– Porque há pesquisas que relacionam cesariana a doenças respiratórias;

– Porque há indícios de que o leite pode demorar mais para descer pois o corpo não entendeu o processo;

Veja bem, se for realmente necessário passar por uma cirurgia para trazer meu bebê ao mundo, assim o farei (já até escolhi uma data: 20/12 – brincadeira, mas é que se é pra pensar nas possibilidades, vamos pensar em todas!). Mas não farei por escolha própria.

Em busca do parto normal (parte 2)

Minha inicial certeza pelo parto normal passou um tempo por um grande medo de não conseguir parir naturalmente. Mas não é um medo de o trabalho de parto não evoluir. É medo de ir para a maternidade, chegar lá, e acabar sendo convencida pelo médico a fazer a cesárea.

Então passei por uma fase quase que obsessiva, de pesquisas e questionamentos.

Um deles foi: por que eu quero tanto o parto normal?

Comecei, então a responder:

1. Primeiro começamos pelo básico: parir é natural. Nosso corpo foi feito para isso.

2. A natureza é perfeita, e todo o processo pelo qual passamos durante o trabalho de parto é conduzido por hormônios da mãe e do bebê.

3. A dor é psicológica. Não vou dizer que ela não existe (e nem posso, ainda não pari). Mas imagino que a intensidade da dor seja proporcional a como a encaramos.

4. E não é qualquer dor. Nosso corpo produz hormônios que nos ajudam a aquentar a dor, e até a esquecê-la logo após o parto.

5. O bebê não é mero coadjuvante. É o seu corpinho que libera as substâncias que desencadeiam o trabalho de parto. Ele participa de tudo.

6. Isso significa que ele nasce quando realmente está pronto para isso.

7. Porque quero SENTIR meu filho nascer. Ajudá-lo a vir ao mundo.

8. Porque durante o trabalho de parto, mãe e filho atuam juntos – pela primeira vez na vida – em prol de um mesmo objetivo. É um trabalho em equipe.

9. Porque ao longo do trabalho de parto, o corpinho do bebê amadurece e fica pronto para a vida aqui fora.

10. Porque ao parir, meu corpo naturalmente vai compreender o que está acontecendo. E isso vai facilitar a recuperação pós-parto.

11. Porque ao passar pelo canal vaginal, o corpinho do bebê expele os líquidos que estavam dentro dele durante a vida intrauterina, e assim minimizamos as chances de complicações respiratórias.

12. Porque durante o trabalho de parto nosso corpo libera a ocitocina, também conhecida como hormônio do amor.

Em nome do bebê

Esta entrevista eu vi pela primeira vez no Blog da Flavoli na semana passada, e não me canso de assistir. Por isso, resolvi trazer pro Blog hoje.

O pediatra Ricardo Chaves alerta para a importância de olharmos o lado do bebê na hora de decidir a forma como vamos trazê-lo ao mundo.

Ele declara: “As poucas horas que se passa em trabalho de parto amadurecem o bebê absurdamente, apesar de ele ter um tempo de maturidade já preparado. (…) Ele libera substâncias, a mãe libera substâncias que dão a ele condições de respirar e se manter desligado do cordão umbilical. (…) No caso da cesárea, especialmente a cesárea marcada sem indicação, eu acho que a gente cobra do bebê um esforço de que a gente devia poupa-lo.”

Ele cita ainda três ações de baixisismo custo fundamentais para a saúde do bebê no primeiro ano de vida, e também para a vida futura, estabelecidas pelo Ministério da Saúde:

1. Ligar o cordão quando ele para de bater (quer dizer, cortar o cordão depois que para de pulsar)

2. Colocar o bebê pele a pele com a mãe (pelo menos nos primeiros 20 minutos de vida)

3. Estimular o aleitamento materno (dar o peito logo após o nascimento)

Esta ações são elencadas na publicação “Além da Sobrevivência -Práticas integradas de atenção ao parto, benéficas para a nutrição e a saúde de mães e crianças“, do Ministério da Saúde, um documento que devia ser seguido à risca pelas equipes de atendimento em saúde em nosso país.

Sobre as opções, as escolhas e o parto que eu quero…

A única certeza em relação a filhos que eu sempre tive na vida era de que teria eles de parto normal. Foi com muita surpresa que descobri, ao longo dos anos, que a cesárea é cada vez mais comum, e mais preferida entre as mulheres e pior, descobri recentemente que existem poucos médicos realmente a favor do parto normal no Brasil.

Desde que engravidei, comecei quase que obsessivamente pesquisar sobre minhas opções para o parto. A primeira decisão foi feita antes de engravidar: a escolha de um médico reconhecidamente humanizado e “partonormalista”. Mas aí vêm as questões mundanas, que envolvem estrutura de serviços de saúde na minha cidade, as opções cobertas pelo meu plano, os serviços extras e grupos de apoios existentes aqui. Tenho lido muito, perguntado pra muita gente, assistido a muitos vídeos de parto…

Aqui temos três  maternidades particulares (sendo duas mais famosas e uma mais tradicional), uma maternidade pública e um hospital universitário. Essas são minhas opções:

1. Maternidade Ilha

Prós: é a única na cidade que tem área para parto humanizado, com banheira. É onde meu médico dá plantão e também a mais perto da minha casa.

Contras: não é 100% coberta pelo meu plano. A diferença de valores chega próxima à de uma diária em um hotel 5 estrelas na beira do mar.

2. Maternidade Santa Helena

Prós: é 100% coberta pelo meu plano

Contras: tem fama de inventar qualquer desculpa para te levar para uma cesariana. Meu médico não atende lá (teria que pagar um chamado para que ele fosse até lá). Eu ficaria numa enfermaria.

3. Maternidade  Carlos Correa

Ainda não consegui me informar sobre essa. É a mais antiga das três, e onde nasceram 3 dos meus irmãos. Meu médico certamente não atende lá, mas não conheço as taxas de normalXcesária

4. Maternidade Carmela Dutra

E onde eu nasci (seria legal que ele nascesse no mesmo lugar que eu). É do SUS. Mas ainda não conheço as taxas de normalXcesária.

5. Hospital Universitário

Prós: é gratuito, é a instituição de saúde da cidade onde mais se pratica/defende/ensina o parto humanizado e o parto normal

Contra: por ser gratuito, a internação é em enfermaria. Mesmo com parto normal, mãe e filho ficam 48h internados.

6. Parto domiciliar

Prós: seria no conforto da minha casa, com a equipe escolhida por mim, com o mínimo de intervenções, sem pressa, com carinho e cuidado.

Contras: por enquanto, só o valor, que não é coberto pelo plano de saúde.

7. Doula

Prós: Uma doula é uma profissional enfermeira que acompanha a mulher durante o trabalho de parto, desde em casa até na maternidade. Ela ajuda a acalmar, auxilia no processo do trabalho de parto, entende e busca sempre o melhor para mãe e filho.

Contras: não consegui encontrar nenhum ainda 🙂