Em busca do parto normal (parte 3)

Por quê raios eu não quero passar por uma cesariana?

– Porque desde sempre, sempre gostei de deixar as coisas acontecerem naturalmente (nunca gostei de roubar no jogo, sempre detestei aqueles esquemas que as amigas faziam para eu ficar com os meninos de quem gostava, não costumava colar na prova. Sempre quis saber como as coisas se desenrolariam naturalmente);

– Porque decidir a data seria decidir se meu filho vai ser sagitário (adoooro) ou capicórnio (nada contra, Queridíssimo é capricórnio);

– Porque o parto normal tem inúmeros benefícios para a recuperação da mãe, e a adaptação do bebê;

– Porque ao esperar pelo parto normal, terei certeza de que o Ben vai nascer exatamente quando estiver prontinho para atravessar para essa dimensão;

– Porque a cesariana é uma cirurgia. Quem gosta de sofrer uma cirurgia?

– Porque quero ser protagonista do nascimento de meu filho.

– Porque quero estar 100% imediatamente após o parto para receber meu filho, e cuidar dele.

– Porque a cesariana não é uma transição natural para o bebê. De repente ele está do lado de fora, sob holofotes, sendo manipulado por um monte de gente;

– Porque há pesquisas que relacionam cesariana a doenças respiratórias;

– Porque há indícios de que o leite pode demorar mais para descer pois o corpo não entendeu o processo;

Veja bem, se for realmente necessário passar por uma cirurgia para trazer meu bebê ao mundo, assim o farei (já até escolhi uma data: 20/12 – brincadeira, mas é que se é pra pensar nas possibilidades, vamos pensar em todas!). Mas não farei por escolha própria.

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Em nome do bebê

Esta entrevista eu vi pela primeira vez no Blog da Flavoli na semana passada, e não me canso de assistir. Por isso, resolvi trazer pro Blog hoje.

O pediatra Ricardo Chaves alerta para a importância de olharmos o lado do bebê na hora de decidir a forma como vamos trazê-lo ao mundo.

Ele declara: “As poucas horas que se passa em trabalho de parto amadurecem o bebê absurdamente, apesar de ele ter um tempo de maturidade já preparado. (…) Ele libera substâncias, a mãe libera substâncias que dão a ele condições de respirar e se manter desligado do cordão umbilical. (…) No caso da cesárea, especialmente a cesárea marcada sem indicação, eu acho que a gente cobra do bebê um esforço de que a gente devia poupa-lo.”

Ele cita ainda três ações de baixisismo custo fundamentais para a saúde do bebê no primeiro ano de vida, e também para a vida futura, estabelecidas pelo Ministério da Saúde:

1. Ligar o cordão quando ele para de bater (quer dizer, cortar o cordão depois que para de pulsar)

2. Colocar o bebê pele a pele com a mãe (pelo menos nos primeiros 20 minutos de vida)

3. Estimular o aleitamento materno (dar o peito logo após o nascimento)

Esta ações são elencadas na publicação “Além da Sobrevivência -Práticas integradas de atenção ao parto, benéficas para a nutrição e a saúde de mães e crianças“, do Ministério da Saúde, um documento que devia ser seguido à risca pelas equipes de atendimento em saúde em nosso país.

Parto, amamentação, carreira, berço e uma bela revisão de conceitos sobre tudo isso

Desde quando decidimos ter nosso bebê, e entrei de cabeça nos assuntos da maternidade, tenho construído e desconstruído uma série de conceitos que na minha cabeça sempre foram os mais absolutos. Não havia dúvidas para mim de que aquilo era o natural, o aceitado, o decididamente correto. Daí que comecei a ler mais, e fui percebendo algumas coisas novas e abrindo a mente para muitas outras.

Por exemplo:

1. Parto

“Parto é natural. Um fenômeno assim como qualquer outro de nosso organismo. Só faz cesariana quem tem algum tipo de problema durante a gestação ou na hora do parto”. Isso era o que eu pensava até uns meses atrás. Na minha família, só as gravidezes de risco terminaram em cesárea, como uma tia que teve eclâmpsia, uma prima que estava com cordão enrolado no pescoço, a mesma tia da eclâmpsia que tinha uma bebê com má formação, e minha irmã, que teve pré-eclâmpsia e na reta final o médico deve de convencê-la e consolá-la que a cesária era a melhor decisão naquele momento. Por isso, sempre foi muito claro na minha cabeça que o parto normal era sempre a primeira via, que podia encaminhar para uma cesária caso algo desse errado. E hoje percebo que é o contrário. A mulher precisa garantir o seu parto normal. Precisa fazer as escolhas certas desde o início (o médico, o local do nascimento) para se certificar de que se seu desejo será acatado. Descobri que a linha do parto normal é muito fina e frágil, que pode ser arrebentada a qualquer momento sob o golpe baixo pretexto de se evitar o sofrimento do bebê. Uma vez descoberto isso, me resta procurar as escolhas certas para garantir um parto normal como sempre acreditei.

2. Amamentação

“O bebê tem que mamar de 3 em 3 horas, para que se crie uma rotina. A amamentação deve ser até 1 ano no máximo. Depois disso, não há vantagem pra ele e pelo contrário, pode ficar dependente demais da mãe”. Taí outra coisa sobre a qual aprendi muito nesses últimos meses: amamentação. Primeiro, descubro que tem mães que simplesmente não amamentam, e ainda defendem uma tal de fórmula, que só de ser industrializada me dá um certo receio. Felizmente, são poucos os casos como esse, mas só de existirem me causou certo espanto. Mas aí depois, li textos como “Por que a livre demanda é importante?” e descubro que o organismo do bebê e é ainda mais sensacional do que eu imaginava. Que além de crescer e se desenvolver de uma maneira extraordinária nos primeiros meses de vida, ele tem a capacidade de dosar a mamada e extrair somente o necessário de uma mamada e de outra, controlando assim os nutrientes que recebe. Não é sensacional? Quer dizer, quem amamenta te 3 em 3 horas es´ta privando seu filho disso tudo. E então vem o terceiro “conceito”: amamentar depois de 1 ano, é desnecessário? E descubro que não, que o desmame deve acontecer naturalmente, quando a mãe e o bebê, juntos, percebem que ele não é mais necessário. Isso pode acontecer aos 12 meses, mas também aos 18, 24 e por que não 36 meses? E isso pode contribuir para bebês mais saudáveis, claro, mas também mais seguros e independentes.

3. Maternidade x Carreira

“Uma mulher precisa ter um emprego, não pode ficar em casa somente cuidando dos filhos”. Sempre valorizei muito minha carreira. Cada escolha feita foi muito bem pensada, sempre com um olho na decisão aqui, e outro no impacto para o futuro. Estudar, me formar, encontrar bons empregos, crescer neles, fazer pós-graduação e cursos de aperfeiçoamento. Tudo para garantir uma excelente posição no mercado de trabalho e aí, então, poder ter tranquilamente meus filhos. Tê-los, e voltar para o trabalho, deixando-os na melhor escola da região. Este é um conceito que está sendo reconstruído aos poucos. À medida que vejo casos de mulheres que optam por ficar em casa. Que têm a oportunidade de estar junto de seus filhos e viver cada fase de sua vida, que é única, junto a eles. Muitas dessas mulheres têm conseguido manter uma carreira paralelamente. Não aquela que desenhamos quando estamos na faculdade, e provavelmente não aquela que nossos pais sonharam para nós. Mas carreiras que permitem estar junto com seus filhos e ao mesmo tempo conquistar diversas coisas profissionalmente. E estes casos têm cada vez mais aberto minha mente.

4. Berço

“O bebê tem que se acostumar desde cedo onde é o seu quarto, senão vai querer dormir para sempre com seus pais”. Uma coisa sempre ficou muito clara na minha mente: cada um tem seu quarto. Lembro como se fosse hoje as brigas que minha irmã tinha com o marido e o filho de 2 anos que chorava desconsoladamente na porta do quarto dos pais porque queria dormir com eles. E eu achava certo: ele tem que dormir na cama dele. E então esse novo termo entrou na minha vida nos últimos meses, sobre o qual tinha total desconhecimento: a tal da cama compartilhada. E descubro que é muito saudável, sim, colocar o bebê para dormir junto dos pais, afinal, até pouco tempo atrás ele dormia juntinho da mãe, por que separá-lo assim bruscamente? Então encontro textos como “A criação com apego e a neurociência” e descubro que a cama compartilhada vai muito além da carência de um filho ou de uma mãe.  Reflito muito sobre isso, e sobre onde vai parar a privacidade dos pais. Mas aí percebo que não há fórmulas, e podem se encontrar soluções para tudo. Eu encontrarei as minhas formas de lidar com isso.