PN x PC: diferenças culturais

Uma mulher entra em trabalho de parto, com pressão alta. Uma menina, na verdade, com 20 anos e pouquíssma experiência no ramo. No hospital, lhe colocam sob monitoramento, batimentos cardíacos da mãe, do bebê, contrações. Já com a bolsa rota, ela é examinada de tantas e tantas horas, mas a dilatação não vem.

Já são 12 horas em trabalho de parto, até que a médica entra no quarto, senta ao seu lado e diz:

– Vamos ter que fazer uma cesária.

A menina começa imediatamente a chorar, com medo. Recebe o conforto da mãe e o abraço do marido. A mãe fala:

– Ela é corajosa, a criei para ser assim. Mas ela é jovem, e como tal está com muito medo.

A médica volta com alguns documentos na mão, senta ao seu lado e fala:

– A cesariana tem uma série de riscos: lesão do intestino, trombose, embolia pulmonar, complicação com a anestesia, hemorragia (… )

Depois de elencar todos os riscos aos quais a menina estava sujeita, pediu que ela assinasse o documento.

A menina, inconsolável e com medo, é levada aos prantos para o centro cirúrgico.

***

As cenas narradas aí em cima eu assisti num programa do Discovery Home & Health que mostra o dia a dia de uma maternidade dos Estados Unidos. Resolvi trazer este relato, pois mostra a diferença com que a cirurgia da cesariana é tratada aqui no Brasil. Aqui, é vista como um procedimento simples, praticamente de rotina, como se fôssemos ao hospital tirar um sinal. Lá, pelo menos pelo que foi mostrado neste programa, a cesariana é uma alternativa às complicações do parto normal. E, como toda e qualquer cirurgia, possui riscos, que devem ser informados à mãe antes de entrar no centro cirúrgico.

 

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Uma vida em bandos

Migration

Boa parte das nossas vidas vivemos em bandos. Desde quando iniciamos a vida acadêmica, aos 5, 6, 7, até completarmos a maioridade, existe um caminho pré-determinado e que se espera que seja percorrido: o primário ensino fundamental 1, o ginásio ensino fundamental 2, o 2º grau ensino médio, a faculdade.

E durante todo esse tempo, pensamos, agimos e sonhamos com coisas que são peculiares ao nosso bando. Temos desejo de andar como os outros exemplares do bando. Na faculdade, deixamos aquele bando adolescente de lado, tão somente para adentrar outro bando: aquele de estudantes universitários de quem é esperado que estudem, façam estágio, namorem, façam festas, e consigam um primeiro emprego nessa nova área de atuação.

Alguns de nós permanecemos no bando dos universitários alguns anos depois de formados, percorrendo o caminho “esperado”: buscar um emprego, mudar de cidade, juntar os trapos com alguém e eventualmente vezes casar. Esse bando de universitários vai seguindo um curso parecido, entre sucessos e fracassos amorosos e profissionais. Sem muita estabilidade, mas com muita força de vontade e muitos sonhos.

Eu acredito que é somente quando decidimos ter filhos (seja planejado, seja no susto) é que nos desgarramos do bando dos universitários e de todas as suas amarras, preceitos, preconceitos e expectativas. Damos um passo para fora desse e de todos os bandos que nos acompanharam até então, trazendo conosco somente o que é melhor de cada um.

Nessa hora, abrimos mão de coisas que nos trouxeram até aqui, sejam elas criadas seja provocadas por nossos bandos anteriores, para criar nosso próprio brand new bando. E ele vai ter sim um pouco de nossa trajetória, mas ele é todinho novo, e vai ser do nosso jeito.

É claro que a partir daí adentramos um outro extraordinário bando, mas muito mais heterogêneo, que é o bando de pais e filhos. E é nesse bando que quero entrar agora.

Me livrando das amarras e preceitos dos meus bandos anteriores, decidi ter um filho sem esperar aqueles grandes e supostos “marcos” da vida adulta. Ok, já viajei o mundo, já encontrei o amor da minha vida, comprei um carro,  já tenho uma casa para chamar de minha (embora não própria), um emprego estável, estou terminando a pós-graduação. Será que preciso ultrapassar mais algum marco para que meus bandos anteriores aceitem esta decisão?

Isso é desgarrar-se do bando: diminuir o peso da opinião alheia e multiplicar o peso dos próprios desejos.

Pediatras pedem que menores de 2 anos fiquem longe das telas

Aqui em casa raramente ligamos a tv. É mais comum chegarmos em casa e ligarmos o som, ficarmos conversando, cozinhando e na internet (eu, no caso). Mas eu adoro televisão, e se fosse por mim ela ficaria ligada 24h por dia, como era lá em casa. Por isso, acho bem difícil evitar que os pequenos assistam a tvs, não tenham contato com telas, como sugere a notícia abaixo. O que eu acredito, sim, é que tem que ter muito bom senso antes de largar a criatura em frente a uma tela (a babá eletrônica, como muito chamam).

Pediatras pedem que menores de 2 anos fiquem longe das telas

18/10/2011 – 15h21

Ver televisão ou vídeos não é aconselhável para crianças menores de dois anos. Pesquisas mostram que a prática pode afetar o desenvolvimento, informou um grupo de pediatras americanos nesta terça-feira.

Em vez de permitir que as crianças assistam a vídeos ou televisão, os pais deveriam falar com elas para estimulá-las a brincar de forma independente, de acordo com a primeira diretriz divulgada em mais de uma década pela Academia Americana de Pediatria (AAP, em inglês).

O Conselho segue a linha da recomendação emitida em 1999 pela maior associação americana de pediatras, mas esta publicação também adverte os pais sobre como seus próprios hábitos televisivos podem retardar a capacidade de falar em seus filhos.

“Esta diretiva atualizada traz mais evidências de que os meios de comunicação –tanto em primeiro como em segundo plano– têm um efeito potencialmente negativo e nenhum efeito positivo conhecido para as crianças menores de dois anos”, sustentou.

“Portanto, a AAP reafirma suas recomendações de desaconselhar o uso de meios deste tipo nesta faixa etária”, acrescentou.

Esta última diretiva não se refere a jogos interativos como videogames, smartphones e outros dispositivos, mas sim a meios de comunicação cujo consumo por meio de qualquer tipo de tela seja passivo, como o telefone, o computador, a televisão e outros.

O pediatra Ari Brown explicou que esta atualização era necessária devido ao aumento dos lançamentos de DVD segmentados para crianças menores de 2 anos e pelo fato de quase 90% dos pais reconhecerem que seus filhos veem algum tipo de meio de comunicação eletrônico.

A AAP convocou os pediatras a abordar o tema do uso da tecnologia com os novos pais e afirmou que qualquer adulto deve estar consciente do quanto está distraído quando a televisão está ligada.

Os estudos citados na diretiva indicam que os pais interagem menos com seus filhos quando a televisão está em funcionamento e que uma criança que brinca em frente à televisão olhará o aparelho –se ele estiver ligado, inclusive como som de fundo– três vezes por minuto.

“Quando a televisão está ligada, os pais falam menos com seus filhos”, afirmou. “Há alguma evidência científica que mostra que quanto menos tempo se dedica a uma criança, mais pobre é sua linguagem”.

Nem mesmo os chamados vídeos educativos estão beneficiando as crianças menores de dois anos, já que elas são muito pequenas para entender as imagens na tela, disse a AAP.

“As propriedades educativas dos meios de comunicação para crianças menores de dois anos continuam sem ser demonstradas, apesar do fato de três quartos dos produtos audiovisuais infantis mais vendidos terem reivindicações educativas implícitas ou explícitas”, acrescentou.

“Um espaço de brincadeiras livre é mais valioso para o desenvolvimento cerebral do que qualquer exposição a meios de comunicação eletrônicos”, concluiu a Academia Americana de Pediatria.