Em busca do parto normal (parte 3)

Por quê raios eu não quero passar por uma cesariana?

– Porque desde sempre, sempre gostei de deixar as coisas acontecerem naturalmente (nunca gostei de roubar no jogo, sempre detestei aqueles esquemas que as amigas faziam para eu ficar com os meninos de quem gostava, não costumava colar na prova. Sempre quis saber como as coisas se desenrolariam naturalmente);

– Porque decidir a data seria decidir se meu filho vai ser sagitário (adoooro) ou capicórnio (nada contra, Queridíssimo é capricórnio);

– Porque o parto normal tem inúmeros benefícios para a recuperação da mãe, e a adaptação do bebê;

– Porque ao esperar pelo parto normal, terei certeza de que o Ben vai nascer exatamente quando estiver prontinho para atravessar para essa dimensão;

– Porque a cesariana é uma cirurgia. Quem gosta de sofrer uma cirurgia?

– Porque quero ser protagonista do nascimento de meu filho.

– Porque quero estar 100% imediatamente após o parto para receber meu filho, e cuidar dele.

– Porque a cesariana não é uma transição natural para o bebê. De repente ele está do lado de fora, sob holofotes, sendo manipulado por um monte de gente;

– Porque há pesquisas que relacionam cesariana a doenças respiratórias;

– Porque há indícios de que o leite pode demorar mais para descer pois o corpo não entendeu o processo;

Veja bem, se for realmente necessário passar por uma cirurgia para trazer meu bebê ao mundo, assim o farei (já até escolhi uma data: 20/12 – brincadeira, mas é que se é pra pensar nas possibilidades, vamos pensar em todas!). Mas não farei por escolha própria.

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PN x PC: diferenças culturais

Uma mulher entra em trabalho de parto, com pressão alta. Uma menina, na verdade, com 20 anos e pouquíssma experiência no ramo. No hospital, lhe colocam sob monitoramento, batimentos cardíacos da mãe, do bebê, contrações. Já com a bolsa rota, ela é examinada de tantas e tantas horas, mas a dilatação não vem.

Já são 12 horas em trabalho de parto, até que a médica entra no quarto, senta ao seu lado e diz:

– Vamos ter que fazer uma cesária.

A menina começa imediatamente a chorar, com medo. Recebe o conforto da mãe e o abraço do marido. A mãe fala:

– Ela é corajosa, a criei para ser assim. Mas ela é jovem, e como tal está com muito medo.

A médica volta com alguns documentos na mão, senta ao seu lado e fala:

– A cesariana tem uma série de riscos: lesão do intestino, trombose, embolia pulmonar, complicação com a anestesia, hemorragia (… )

Depois de elencar todos os riscos aos quais a menina estava sujeita, pediu que ela assinasse o documento.

A menina, inconsolável e com medo, é levada aos prantos para o centro cirúrgico.

***

As cenas narradas aí em cima eu assisti num programa do Discovery Home & Health que mostra o dia a dia de uma maternidade dos Estados Unidos. Resolvi trazer este relato, pois mostra a diferença com que a cirurgia da cesariana é tratada aqui no Brasil. Aqui, é vista como um procedimento simples, praticamente de rotina, como se fôssemos ao hospital tirar um sinal. Lá, pelo menos pelo que foi mostrado neste programa, a cesariana é uma alternativa às complicações do parto normal. E, como toda e qualquer cirurgia, possui riscos, que devem ser informados à mãe antes de entrar no centro cirúrgico.