Rapidinhas de quarta

1.

Consegui convencer meu médico a substituir o exame horroroso de curva glicêmica por medições diárias de glicemia em casa. Como minha mãe é diabética, ela tem aqueles aparelhinhos para medir com um furinho no dedo e me emprestou. Então, nos próximos 4 dias farei o teste na sequencia: dia 1, em jejum; dia 2 duas horas depois do café; dia 3, 2 horas depois do almoço ; dia 4, duas horas depois do jantar (esse último vai ser mais difícil, porque não temos rotina nenhuma de jantar aqui em casa).

Menos mal, hã?

Tomara que eu passe nos testes!

oooøøøoooøøøoooøøøoooøøø

2.

Hoje aconteceu uma coisa que eu sempre pensei que não fosse me abalar. Uma pessoa entrou na copa, no trabalho, e puxou papo sobre a barriga. Apesar de trabalharmos na mesma empresa, eu nunca tinha visto a pessoa na vida.

E.ela.passou.o.tempo.todo.alisando.a.minha.barriga.

Quão bizarro é isso? Alguém aí já se aproximou de um estranho e passou a acariciar sua barriga como se não houvesse amanhã, ou como se fosse um gatinho, ou como se fosse, sei lá que tipo de coisa as pessoas acariciam com tamanha naturalidade?

Me incomodou. Nunca pensei que fosse me incomodar com isso, mas achei mega estranho.

(amigas, parentes e afins estão totalmente liberadas para carinhos na barriga, ok?)

Orgulho da barriga!

No começo foi meio estranho. Depois de passar a vida inteira – desde a adolescência – escondendo a barriguinha extra, foi muito estranho passa a ter barriga e não conseguir esconder. Vocês não têm noção do que é isso na cabeça de uma pessoa. São quase duas décadas renegando a barriga. Sempre que ela estava meio inchada, significava que eu tinha extrapolado na comida, ou que tinha engordado  – sempre engordei só isso: barriga e bochechas. Sempre fui magra, mas a barriguinha sempre esteve lá.

Então de repente eu passei a ter uma barriga inescondível. E demorei a me acostumar com isso. Talvez também porque no início a barriga é meio indefinida mesmo, então não dá aquela vontade de mostrar. E eu escondia como dava, com batas, casacos largos, blusas soltinhas.

Um dia, lá pela semana 19 acho, eu acordei, coloquei uma blusa mais justa e declarei: resolvi assumir a barriga! (Queridíssimo diz que foi aí que começou todo o meu processo de amadurecimento para o parto).

Naquele dia, as pessoas levaram um susto com o tamanho da barriga! Claro, até ali só viam que eu estava com uma blusa mais soltinha. Parecia que ela tinha crescido da noite para o dia.

E então passei a me apegar cada dia mais à barriga. Foi no meu primeiro dia de caminhada que esse apego passou a puxar mais pra um orgulho. Eu caminhava, com a camiseta justa na altura da barriga, e me sentia a mulher mais poderosa daquela avenida beira-mar!

O clima ajudou um pouco, e agora começo a usar mais vestidos com orgulho. As camisetas saem do armário, e uso mais roupas que marcam bem a silhueta.

E como é gostoso exibir a barriga por aí! Uma sensação de mulher-maravilha carregando uma vidinha dentro de mim. Eu ando na rua e tenho a sensação de que as pessoas sorriem, mesmo sem realmente estamparem o sorriso. A barriga é um abridor de portas, disparador de gentilezas, amolecedor de humores.

É muito orgulho!

 

Rapidinhas de segunda…

1. Estávamos os dois indo dormir, e eu tinha acabado de tomar um canecão de chá:

–  Ai, fiquei meio enjoada… será que estou grávida?

Queridíssimo me olha de canto de olho, bem sério e diz:

– Nem brinca com isso!

Ahahahahahah

ooººooººoo

2. Se por acaso você avistar uma grávida praticando sua caminhada noturna, e ela estiver com uma blusa que vai até o umbigo, e uma calça de cós rebaixado aparecendo a pança para fora, não julgue. Talvez seja só uma grávida desprevenida, que não percebeu que aquela blusa não serve mais para caminhadas, e depois teve que baixar o elástico da calça porque estava apertando!

 

“Estou grávida, mas a barriga ainda é minha” (sim, plagiando)

Sim, o título foi copiado descaradamente daqui, porque desde quando engravidei, não consigo parar de pensar nele.

Mas no meu caso, o problema não é necessariamente a barriga. Ao contrário da Letícia, não tenho problemas com pessoas colocando a mão na minha barriga. Tá, ela ainda está pequena, está cedo pra dizer, eu sei.

Mas a barriga aqui no título deste post é simbólica. A questão é que, quando tu ficas grávida, parece que a tua vida, teus hábitos, teu comportamento são domínio público. Já repararam?

Vou exemplificar:

“Nossa, tua barriga tá crescendo rápido, não estás comendo demais?” – enquanto eu me deliciava com uma nega maluca na copa.

“Isso aí, tomando muita aguinha, hein?” – enquanto eu encho o segundo copo de água seguido.

“Só na frutinha, hein?” – O.o

“Olha, cuidado com a diabetes gestacional!” – quando eu coloco uma foto de brigadeiro no facebook.

“Não me leve a mal, mas acho você não gostou do novo massagista porque está num momento delicado da vida, precisa de mais carinho” – porque trocou o profissional da quick massagem, e eu tinha adorado o astral zen da massagista anterior.

“E também porque ele é homem. Como estás esperando um menino, passas a repulsar o sexo masculino”. – gente, eu posso ter preferido a massagista anterior pelo simples fato de ela fazer massagem melhor?

“Já engordou quantos quilos?” – O.o

“Esse bebê tá se alimentando bem, hein?” – quando esquento a marmita sempre que o Queridíssimo prepara pra mim e coloca mais do que eu realmente preciso.

“Tudo bem com vocêS? Bem mesmo?”

Ok, confesso que no início da gravidez eu preparei mentalmente um post sobre como as pessoas ficam felizes e atenciosas quando surge uma grávida. Mas agora já estou meio que ficando incomodada com tanta felicidade e atenção!