Achados de março

Rádio Radinho: essa dica, peguei lá no Facebook do Mamatraca. Uma rádio feita para adultos e crianças ouvirem juntos. Só músicas de qualidade, daquelas que estimulam, animam, acalmam o ambiente. Que tal desligar a TV e brincar com as crias ao som de música boa?

Por que não mamãe?: nesse blog, a Lesly mostra as atividades que ela cria para entreter e estimular o pequeno Tales. São dicas simples, mas muito interessantes que despertam a criatividade e ajudam no desenvolvimento motor. Eu não vejo a hora de fazer uma dessas brincadeiras para o Ben!

Bebê recém-nascido logo após o parto - Foto: Reynardt/ShutterStock

As crises do primeiro ano de vida – parte 1: esse texto é o primeiro de uma série que o Dr. Moisés Chencinski vai publicar em sua coluna sobre as crises enfrentadas pelo bebê até completar 1 aninho. Nesse primeiro texto, ele fala sobre a primeira crise, a do nascimento. Acho que é uma leitura indispensável para quem vai ter seu bebezinho por agora (mandei pros meus amigos que estão em vias de parir). Isso porque, muita gente acha que o bebê chora por manha, ou cólica, quando na verdade ele só não está sabendo lidar direito com essa grande transformação na vida que é sair do útero para o mundo aqui fora.

As crianças proibidas de ver: Excelente texto publicado pelo biólogo Fernando Reinach no Estadão dia 21/03. Ele coloca em cheque a cultura de que “o novo é sempre melhor que o velho”. E comenta, citando o livro, The World Until Yesterday (O Mundo Até Ontem, em tradução livre, de Jared Diamond) que nas culturas tradicionais as crianças sempre são carregadas no colo, ou usando alguma amarração, e assim compartilham o mesmo ponto de vista da mãe. Ao adotar o carrinho de bebê, a sociedade atual acaba limitando o campo de visão dos bebês, que são obrigados a olhar pra cima ou pra trás e são privados inclusive do correto desenvolvimento do seu córtex visual. Um trecho:

“Como o céu é claro e incomoda a vista, muitos desses carrinhos possuem uma coberturas de pano, o que restringe ainda mais o campo de visão e empobrece a experiência visual da criança. Não é de espantar que um bebê, cujos ancestrais foram selecionados para aprender a observar o meio ambiente desde o início de sua vida, fique entediado. Mas para isso temos uma solução moderna: uma chupeta que simula o bico do seio da mãe. Hoje, carregar uma criança é considerado um estorvo, mas nossa nova solução distancia fisicamente a criança da mãe e não permite que elas compartilhem experiências sensoriais. Transportar uma criança deixou de fazer parte do processo educacional.”

A roda da sustentabilidade baby

Já comentei aqui que o Ben ganhou todas as roupas do nosso afilhadinho, o Martin, desde RN até 18 meses, né? Pois todas as roupas RN e P já foram passadas adiante, para o Jooji, filho de um casal de amigos nossos que está para nascer neste mês (e sim, o Ben aos dois meses já estava grande para a maioria das roupas P!)

Mas muitas das roupas do Martin o Ben não chega a usar, porque eles moram numa região muito fria e aqui faz mais calor.

E então semana passada chegou uma caixa com roupas M fresquinhas diretamente de Palmas, de uma grande amiga cujo filho, Henrique, é 8 meses mais velho que o Ben. São roupas lindas! E assim que ele terminar de usar, vou mandá-las para Porto Alegre, pois essa amiga tem outra amiga que recém teve bebê, e ele ganhou as roupas P do Henrique.

Quando o Jooji deixar de usar as roupas RN e P, vai estar usando as M do Martin e vai passar as pequenas para o filhinho de outro casal de amigos nossos, que nasce em agosto.

Ainda por cima, acreditam que o Ben é o sexto bebê a usar o mesmo bebê conforto? Tudo começou em 2007 quando nasceu minha afilhada Marina. Além disso o carrinho, o trocador de fraldas e agora uma linda poltrona de amamentação – tudo já pertenceu a outro bebê antes de ser do Ben.

E assim, brincando, contribuímos para diminuir o consumo e a geração de resíduos. Tão logo deixarmos de usar tudo isso, vamos manter a roda da sustentabilidade girando e passar para mais um bebê sortudo desses!

Os três meses vêm aí…

… e com eles vem a “crise dos três meses”.

Seu bebê não se concentra mais para mamar?

Quando mama, parece brigar com o peito, resmungar, se contorcer?

Para de mamar e fica olhando para a mamãe e chora?

Ameaça voltar a mamar, mas desiste e resmunga?

Parece sentir calor/frio/coceira/dor enquanto mama?

Parece que não quer mais mamar, mas cai no berreiro se tirado do peito?

Somado a tudo isso, parece que seus seios murcharam, dando a impressão de que todo esse chororô é por falta de leite?

Calma, pode ser só a primeira das Quatro crises de crescimento dos bebês.

Repita comigo: VAI PASSAR!

É por ti, Ben…

Pra que tu tenhas um quintal para brincar,

pra que tu possas pegar frutas no pé,

pra que tu tenhas amigos da rua,

pra que tu cresças brincando de pé no chão,

pra que a praia não seja tão longe,

pra que a gente saia no sol sempre que tiver sol,

pra que a gente possa adotar um cachorro,

pra que tu ouças o cantar dos pássaros ao longo do dia.

É pra tudo isso e muito mais que nos mudamos para uma casa, filhote. Com quintal, pés de goiaba, laranja, caqui e jabuticaba, com vizinhos, com muros baixos e uma brisa bem gostosa que circula pela casa.

Tudo isso é pra ti.

Vida longa ao sling!

Eu costumo dizer que o sling é uma das melhores invenções do milênio. Não é à toa que as africanas, as peruanas, as indianas usam seus bebês pendurados no corpo há tanto tempo.

Eu comprei o sling da mesma forma que comprei as fraldas de pano: curiosa para experimentar esses símbolos do ‘novo maternar”. A diferença é que, ao contrário das fraldas de pano, que não colaram por aqui, o sling virou um item básico do dia a dia.

Demorou para eu tomar coragem de usar pela primeira vez. Me sentia esquisita “vestindo”o meu filho. Ele também não entendia muito bem aquilo, era só colocá-lo que ele começava a procurar o meu peito para mamar.

Foi só depois da primeira consulta com a pediatra que me encorajei a usar mais. Comentei que ele mamava muito, e ela sugeriu que eu usasse mais o sling, pois às vezes ele estava só pedindo o peito pois queria o contato comigo, não necessariamente mamar.

Nas primeiras tentativas, eu colocava o Ben já dormindo, para que não ficasse procurando o peito. Mas aí depois comecei a usar também quando ele não dormia por nada nesse mundo. Era só enrolá-lo aqui, sair andando pela casa e pronto! O menino caía em sono profundo.

A partir daí, o sling passou a ser item indispensável na bolsa do Ben. Sempre que esqueço de levar é um arrependimento sem fim, porque parece que o bebê conforto tem formigas, e aí o bonitinho só quer ficar no colo. Só que apesar de pecurrucho, nosso gordinho já tem quase 7 quilos, os braços não aguentam tanto tempo.

O sling é também uma bênção quando estamos em locais novos para o Ben. Ele fica visivelmente tenso, não consegue dormir, se dorme acorda logo em seguida, ou fica grudado no peito (o seu refúgio). É só colocá-lo no sling, dar uma caminhadinha, que ele dorme imediatamente. Praticamente dá para esquecer que temos um bebê no recinto!

Nesse fim de semana foi a festa de 60 anos do meu pai. Foi uma festa estilo balada, que começou às 21h. Nós fomos à festa e sabíamos que o comportamento do Ben seria uma incógnita. Chegando lá, não foi surpresa: ele começou a chorar e logo pediu peito. Ficou mamando sem fim enquanto minhas irmãs, família, amigos do meu pai vinham querer conhecê-lo. Quando enfim parou de mamar, coloquei ele no sling e parti para a festa. Foi perfeito! A festa tinha música alta, e longe da música tinha muita gente falando alto, rindo, querendo mexer nele. E ele ali, dormindo feito um anjo. Ficamos nessa até à 1h da manhã.

Durante toda a festa eu fiquei com o coração apertado de estar submetendo o pequeno àquela situação. Não sabia como ele reagiria no restante da noite e no dia seguinte, depois de ficar exposto a tanta bagunça. Mas que nada! Chegou em casa, continuou dormindo, e no dia seguinte nenhuma agitação aparente! Será efeito do sling? Eu acredito que sim.

Eu e Ben com meus cinco irmãos e meu pai. E o sling.

Eu e Ben com meus cinco irmãos e meu pai. E o sling.

 

“Acredite: não é o teu leite”

Foi o que eu disse para uma querida amiga que está prestes a ter seu bebê. Depois de muito conversarmos sobre parto, nosso/meu mais novo assunto favorito é esse: amamentação.

E é isso que vou dizer, se tiver oportunidade, a todas as cinco (!!!) outras amigas que terão filho entre junho e agosto. Tá, não são cinco, são quatro. É que uma delas é minha chefe, mas se oportunidade tiver, essa dica darei.

Acredite, não é o teu leite.

Eu nunca duvidei do meu leite. Mesmo o Ben chorando todos os dias, nos primeiros sete dias de vida, das 19h às 24h, sem motivo aparente. Ele chorava com o bico do seio dentro da boca. Ele chorava no meu colo, no colo do pai, deitado, em pé, de bruços, pelado, com roupa, dentro do banho de balde (nos primeiros minutos, depois chegava a dormir), com fralda A, fralda B, fralda C. Ele chorava. Até uma hora em que ou cansava, ou o incômodo passava, ou conseguia mamar, ou, ou, ou, e simplesmente dormia.

Eu nunca duvidei do meu leite. Mesmo o Ben tendo emagrecido nos primeiros 10 dias, quando ele supostamente deveria ter engordado 20 gramas por dia. O que eu fiz? Intensifiquei as mamadas, prestei atenção à pega, me entreguei. E ele engordou 500 gramas na semana seguinte. E segue engordando e crescendo sem parar até hoje.

Eu nunca duvidei do meu leite. Mesmo tendo um bebezinho que faz o plantão da Telesena: de hora em hora acorda/pede para mamar. Já vi/li gente que entrou com complemento porque o bebê mamava de hora em hora e “não dava tempo do peito encher”. Peito, como bem dizem as entendidas no assunto (lá no GVA e no AMS*), não é estoque, é fabrica. A maior parte do leite é produzida enquanto o neném mama. Então, mamar de hora em hora não acaba o leite, pelo contrário, estimula a produção. Agora se tu me disseres que estás cansada, aí já são outros quinhentos…

Eu nunca pensei que o Ben estivesse chorando de fome. E o que eu disse para minha amiga e direi para as próximas é: antes de pensar que o bebê está com fome, experimente explorar outros motivos. Bebês não choram só de fome. Choram de frio, de calor, de sono, porque querem carinho, de tédio e até de felicidade, dizem. Dar o peito é instintivo para fazê-lo parar de chorar, sim, e por isso temos a impressão de que era fome. Mas não é só a fome que o peito sacia. Explorar outros motivos para o choro do bebê nos permite ainda por cima conhecê-lo melhor.

Amamentação é entrega. É dar-se para o bebê 24 horas por dia. Não é fácil. Mas é uma delícia. Além de ser o melhor alimento para os bebês (humanos, o leite de vaca é o melhor alimento para o bezerro), a amamentação fortalece o vínculo, é um momento de aconchego, de intimidade, de troca que mamadeira nenhuma oferece.

E isso é o te tenho aprendido nesses 2 meses e 1 semana de amamentação em livre demanda.

Hoje me empolguei para falar do meu mais novo assunto predileto depois de ler textos como esse e esse, e acompanhar a Semana Amamentação no Mamatraca.

*GVA (Grupo Virtual de Amamentação) e AMS (Aleitamento Materno Solidário) são grupos de apoio no Facebook imprescindíveis para quem quer realmente amamentar. Lá eles não apóiam o uso de mamadeiras ou bicos, nem de leite artificial, e nem o desmame precoce ou abrupto. Quem quiser entrar, busca no Facebook e solicita a participação. Se demorar para aceitarem, me avisa aqui que eu peço para aceitarem lá.