“Acredite: não é o teu leite”

Foi o que eu disse para uma querida amiga que está prestes a ter seu bebê. Depois de muito conversarmos sobre parto, nosso/meu mais novo assunto favorito é esse: amamentação.

E é isso que vou dizer, se tiver oportunidade, a todas as cinco (!!!) outras amigas que terão filho entre junho e agosto. Tá, não são cinco, são quatro. É que uma delas é minha chefe, mas se oportunidade tiver, essa dica darei.

Acredite, não é o teu leite.

Eu nunca duvidei do meu leite. Mesmo o Ben chorando todos os dias, nos primeiros sete dias de vida, das 19h às 24h, sem motivo aparente. Ele chorava com o bico do seio dentro da boca. Ele chorava no meu colo, no colo do pai, deitado, em pé, de bruços, pelado, com roupa, dentro do banho de balde (nos primeiros minutos, depois chegava a dormir), com fralda A, fralda B, fralda C. Ele chorava. Até uma hora em que ou cansava, ou o incômodo passava, ou conseguia mamar, ou, ou, ou, e simplesmente dormia.

Eu nunca duvidei do meu leite. Mesmo o Ben tendo emagrecido nos primeiros 10 dias, quando ele supostamente deveria ter engordado 20 gramas por dia. O que eu fiz? Intensifiquei as mamadas, prestei atenção à pega, me entreguei. E ele engordou 500 gramas na semana seguinte. E segue engordando e crescendo sem parar até hoje.

Eu nunca duvidei do meu leite. Mesmo tendo um bebezinho que faz o plantão da Telesena: de hora em hora acorda/pede para mamar. Já vi/li gente que entrou com complemento porque o bebê mamava de hora em hora e “não dava tempo do peito encher”. Peito, como bem dizem as entendidas no assunto (lá no GVA e no AMS*), não é estoque, é fabrica. A maior parte do leite é produzida enquanto o neném mama. Então, mamar de hora em hora não acaba o leite, pelo contrário, estimula a produção. Agora se tu me disseres que estás cansada, aí já são outros quinhentos…

Eu nunca pensei que o Ben estivesse chorando de fome. E o que eu disse para minha amiga e direi para as próximas é: antes de pensar que o bebê está com fome, experimente explorar outros motivos. Bebês não choram só de fome. Choram de frio, de calor, de sono, porque querem carinho, de tédio e até de felicidade, dizem. Dar o peito é instintivo para fazê-lo parar de chorar, sim, e por isso temos a impressão de que era fome. Mas não é só a fome que o peito sacia. Explorar outros motivos para o choro do bebê nos permite ainda por cima conhecê-lo melhor.

Amamentação é entrega. É dar-se para o bebê 24 horas por dia. Não é fácil. Mas é uma delícia. Além de ser o melhor alimento para os bebês (humanos, o leite de vaca é o melhor alimento para o bezerro), a amamentação fortalece o vínculo, é um momento de aconchego, de intimidade, de troca que mamadeira nenhuma oferece.

E isso é o te tenho aprendido nesses 2 meses e 1 semana de amamentação em livre demanda.

Hoje me empolguei para falar do meu mais novo assunto predileto depois de ler textos como esse e esse, e acompanhar a Semana Amamentação no Mamatraca.

*GVA (Grupo Virtual de Amamentação) e AMS (Aleitamento Materno Solidário) são grupos de apoio no Facebook imprescindíveis para quem quer realmente amamentar. Lá eles não apóiam o uso de mamadeiras ou bicos, nem de leite artificial, e nem o desmame precoce ou abrupto. Quem quiser entrar, busca no Facebook e solicita a participação. Se demorar para aceitarem, me avisa aqui que eu peço para aceitarem lá.

#menas

Fui fechar o zíper do casaquinho do Ben, enquanto ele mamava e BELISQUEI a pele do peito dele. Tadinho, deu um grito e chorou, chorou… eu me senti a pior de todas.

No dia seguinte, fui cortar suas unhas. Fazia tempos que não conseguíamos um momento em que ele estivesse realmente chapado de sono para cortar suas unhas. Aproveitei que ele estava na rede, mais pra la do que pra cá e ataquei com o mini-cortador. Dormindo, ele chorava a cada vez que eu encaixava o cortador em uma unhinha. Aquelas unhinhas minúsculas. Até que veio um grito e um choro sentido. Fui ver, tinha cortado um pedacinho do polegar, tadinho! Saía sangue! O papai o pegou e foi consolá-lo. E pior, depois vi que consegui cortar DOIS dedos!

Sniiiiff….

Fui fazer um concurso e sobrevivi sem o Ben

Isso. Eu sobrevivi sem ele. Ele? Bom, nem se deu conta de que estava longe da mamãe. Unf!

Engraçado que quando me inscrevi no concurso pensei: “bom, o Ben já vai ter 50 dias, então já mais ou menos saberemos como ele vai reagir a ficar uma ou duas horas longe de mim.”

Ledo engano. Ele tem 50 dias, mas não tem um padrão de sono e de mamadas estabelecido, então tudo seria uma incógnita.

No ato da inscrição selecionei o item de necessidades especiais, indicando que precisaria levar meu bebê para mamar durante a prova. Eles fornecem uma sala para esse fim. Então o Queridíssimo iria conosco e ficaria nessa sala enquanto eu fizesse a prova.

O concurso começaria às 14h, e o ideal era chegar lá umas 13h30.

Às 12h já comecei a ficar tensa. O Ben mamou, e se ele dormisse naquele horário provavelmente acordaria umas 13h, mamaria e assim poderíamos ir tranquilos para o concurso, pois ele iria querer mamar novamente a partir das 14h.

Mas ele mamou e não dormiu nem 5 minutos. E quis mamar de novo, mas não dormiu de novo. Então eu simplesmente não sabia o que nos esperava. Meu medo era que ele quisesse mamar exatamente às 14h, e aí o que fazer? Provavelmente eu abandonaria o concurso.

Enquanto eu dava de mamar/me arrumava, o Queridíssimo foi arrumando as coisas do Ben. Apesar de termos uma bolsa (linda!!) sempre meio pronta para as saídas, ele tem a sua própria bolsa (aquela que ganhamos do baby.com.br), e se encarregou de prepará-la. A única coisa que orientei foi: leva uma outra peça idêntica à que ele está usando e um conjunto para um clima oposto. Ah, e também olhei atravessado quando ele pegou uma calça verde claro para combinar com um body listrado azul com branco!

Também antes de sair experimentamos o sling nele, e concluímos que o melhor seria levar o sling para o Ben ficar dormindo,  já que ele dorme muito pesado no sling, e os sonos no bebê conforto andam muito leves.

Bom, quase na hora de sairmos, Ben mamou pela última vez e finalmente dormiu. O colocamos no bebê conforto e partimos. Não sem antes pegar o guarda-chuva, já que para ajudar estava chovendo!

Chegando lá, fomos encaminhados para a sala especial, onde já havia outros três bebês com suas famílias. Dois seriam cuidados pelas avós, e o Ben e outra bebê estavam acompanhados dos pais.

Queridíssimo aprendeu super bem a colocar o sling sozinho, e logo já foi me despachando pra finalmente ficar sozinho com o Ben. Acho que ele estava ansioso por esse momento!

Bom, e lá fui eu fazer a prova. Tensa. Fazer provas nunca foi um problema pra mim, mas estava tensa de o Ben acordar e querer mamar e o pai não querer me incomodar e ficar tentando acalmá-lo.

Fiz a prova inteira imaginando essa cena! Ben chorando, o pai tentando acalmá-lo e a cada vez que a fiscal de prova passava do meu lado eu imaginava que ela estava vindo me chamar.

O tempo foi passando, fui fazendo a prova relativamente com calma. Uma colega de sala foi chamada para amamentar e eu nada!

Quando finalmente terminei, nem quis revisar como normalmente faço. Passei todo o gabarito e me mandei.

Eram 15h20 mais ou menos. Ben tinha ficado quase 2 horas (na verdade 1h30, mas pra mim foram quase 2h!) sem a mãe, coitado, deve estar suado de tanto chorar, vermelho e soluçando, e atrapalhando o sono dos outros bebês que calmamente esperam suas mães!

Pois cheguei à sala e nem parecia que eu tinha ficado longe! Unf! Queridíssimo tinha acabado de trocá-lo, e se preparava para colocá-lo de volta no sling. Me contou que ele dormiu o tempo todo no sling, tranquilíssimo (unf! 2).

Ele nem queria, mas peguei e coloquei o pimpolho para mamar. Para minha felicidade, ele mamou como se tivesse passado horas sem mamar. Grudou no peito e não se mexeu até ficar satisfeito! Normalmente ele fica dando umas paradinhas, se agita, se engasga. Mas dessa vez não, ele mamou atéééé…

Daí que coloquei ele na vertical um pouco, e ele fez um cocozão. Olhei para o marido e ele disse: “vamos esperar até em casa, é tão pertinho, e lá trocamos ele”. No que levanto para colocarmos o Ben no bebê conforto, qual não foi minha surpresa: cocô all over the place! Minha blusa, minha mão, a meia do Ben… tudo sujo de vatapá só que não!

Foi a primeira vez que isso aconteceu conosco!

Calmamente, trocamos o pimpolho novamente e, no meio da troca (isso sim não é novidade) o beleza ainda fez um xixizão que molhou toda a mesa! Ahaha só faltou vomitar para termos o pacote completo!

Recuperados do susto e do contratempo, finalmente voltamos pra casa.

Felizes de perceber que podemos sobreviver à separação, ao cocô explosivo, ao xixi surpresa, e etc.

E o concurso? Bom, fiz 35 de 50 pontos. Podia ter sido 37, se eu fosse um pouquinho mais atenta, mas mesmo assim não teria chances de classificação.

 

 

Com que roupa eu vou? – parte II

Se eu achava que era difícil me vestir decentemente quando estava grávida, era porque eu nunca tinha amamentado na vida.

Sério. Se antes meu guarda-roupas estava restritissimo, agora o lance atingiu um nível muito mais espartano. E olha que hoje eu tenho que admitir que até estava conseguindo ser uma gravida bem ajeitadinha, com cintinhos sob a barriga e vestidos longos até o pé.

Acontece, minha gente, que quem amamenta não pode usar vestido (a não ser que ele permita acesso rápido e fácil ao peito), e cintinhos passam a ser um acessório ultra-atrapalhante no ato de amamentar.

Quem gosta de expor ao mundo sua barriga nada definida? E se essa barriga for de uma recem-parida (flácida como só uma barriga recem-parida pode ser)?

Nas primeiras semanas de amamentação, eu tenho que confessar aqui: revezei entre 3 vestidos que me permitiam acesso rápido e fácil ao peito. E tinha também uma blusa de alcinha que minha amiga emprestou achando que seria útil na gravidez. Mentira, nas duas primeiras semanas eu andei de peito de fora dentro de casa, mas abafa.

Bom, quando eu passei a ter uma vida razoavelmente social (leia-se: voltei a sair de casa), comecei a ficar praticamente sem opções de roupas para usar. E então tive que ceder às camisetas/blusinhas que exibem minha barriga recem-parida quando eu levanto para que o nenê tenha acesso ao peito. Eu até tento esconde-la ao amamentar em público usando: a. uma parte da camiseta; b. um cueiro; ou c. o corpo do pobre bebê. Mas nenhuma dessas opções é realmente efetiva para esse fim ( nem o cueiro, este item indispensável do enxoval que serve para praticamente qualquer coisa). E aí, assim como eu consegui desapegar do fato de que é o MEU PEITO que está de fora amamentando o bebê em publico, estou tentando desapegar do fato de que MINHA BARRIGA também esta de fora. Só que ao contrario do peito, eu sempre abominei essa cena da mulher amamentando com a barriga de fora, e não queria ser dessas…

Me digam minhas queridas amigas e leitoras amentadoras: com que roupa vocês vão?

Aceito dicas.

5,4 quilos

Tenho em casa um bebê coxudo, com mãos fofinhas e bochechas gordas.

Um bebê que nos olha nos olhos, e que hoje riu pela primeira vez com um brinquedo que toca musiquinhas.

Um bebê que já quer sustentar a cabeça.

Um bebê que já engordou quase 2 quilos em pouco mais de um mês. E que já mede 60 centímetros.

Já posso sentir saudades do meu recém-nascido?

 

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p.s.: atualizei o Sobre (viu dona Nana?) e criei uma nova página Sobre o Ben 🙂