Amamentação: informação é tudo

Vou fazer um relato de como tem sido minha experiência com amamentação, e espero com ele poder ajudar de alguma forma outras mães de primeira viagem assim como eu.

Bom, vou começar pelo começo.

Ainda durante a gravidez, nunca tive aqueles episódios que outras mulheres relatam de acordar com a cama molhada de leite. Tinha lido em algum lugar que apertar o seio era prejudicial, então nunca tentei ver se tinha leite ou nao. Uns dias antes de o Ben nascer eu nao resisti à tentação apertei o bico do seio e saiu uma gotícula de colostro, chamei o marido para ver, mas nao consegui repetir o feito… Então, a amamentação para mim até ali era uma incógnita. Nunca fiz nada para preparar o seio, a única coisa era nao passar nem sabonete nem hidratante. Meu GO sugeriu banho de sol, mas nunca consegui fazer.

Logo depois de nascer, ainda na sala de recuperação, Ben foi colocado em meu peito para mamar. Ele já estava chupando o dedo da pediatra que o recebeu, então sucção nunca foi um problema. Ele sugava muito forte e assim ficou uns 10 minutos no meu seio. Quando ele largou, percebemos: ele não estava chupando no lugar certo, e isso me rendeu uma bolha de sangue logo acima do bico 😦

Mais tarde, quando eu já conseguia sentar, ofereci o seio direito ao Ben, e ele tinha muita dificuldade para pegar certo. Isso causou um machucado nesse seio também. As enfermeiras do HU vinham me ajudar, e ficavam pressionadas com o estado dos meus seios. Mesmo assim, pinçavam a aureola e forçavam para que o Ben pegasse o seio da forma correta.

A forma correta é: pegando toda a auréola e com a boquinha em formato de “boca de peixe”. Para facilitar essa pegada, ele tinha que estar com a barriga encostada na minha, e uma mãozinha me abraçando por baixo.

Chegou-se a tentar fazer o Ben pegar o seio com bico de silicone. Sinceramente, achei aquilo horrível e ainda bem que o Ben nao curtiu também. Uma das enfermeiras chegou a falar “esse bico, sei não, acho muito difícil ele pegar”. Aquilo me feriu por dentro, mas me atiçou a cdf que há nas minhas entranhas. A partir daí todas as vezes que o Ben ia mamar, eu chamava a enfermeira para ver se estava mamando certo.

Em dois dias fomos para casa. Os machucados nos seios nao aumentavam, significava que estávamos no caminho certo. Para curá-los, passei muito leite materno e às vezes fazia banho de sol. Até comprei aquela pomada famosa importada, mas achei que o leite materno teve mais poder de cicatrização. Em a semana o seio esquerdo cicatrizou.

E então veio o quarto dia, e com ele a tal “descida do leite”. Eu acho que nessa noite tive febre, pois acordei tremendo muito de frio no meio da madrugada.

De repente, meus seios estavam gigantes! E o Ben não conseguia pegar de jeito nenhum. Colocava ele no seio, e ele ficava brigando, dando cabeçadinhas, e chorando MUITO. Ele chorava MUITO e chegou a ficar rouco, tadinho. Enquanto isso, meus seios pingavam leite. Nada o acalmava. Fizemos banho de balde, achamos que era a fralda, tiramos toda a roupa, ninamos, o Diego balançava ele, ele se acalmava, mas na hora de vir para o peito, ele voltava a chorar.

Então eu comecei a massagear meus seios, para não correr o risco de empedrarem. Até que lembrei de posts no grupo Aleitamento Materno Solidário, no Facebook, que ensinavam a dar leite em copinhos. Comecei a ordenhar em um copinho de cachaça, e logo já tinha meio copinho. Aprendi no YouTube como dar o leite dessa forma e assim fizemos. Ele mamou que nem um gatinho, coisa mais linda! E então, finalmente, dormiu! Essa luta durou cerca de quatro horas! No meio da madrugada, quando ele acordou para mamar, fizemos o mesmo e ele voltou a dormir. No dia seguinte, passei a massagear bem os seios antes de oferecer para ele, e ele foi aprendendo a pegar direitinho.

Acredito que a maior dificuldade para ele foi que de repente, de gotinhas, o leite passou a sair do peito em jatos, e ele não soube administrar isso!

Com o passar dos dias, fomos nos adaptando um ao outro. Um dia, ele estava mamando e de repente vi sua boquinha toda cheia se sangue. Tomei um susto! Aí vi que o seio direito tinha feito uma fissura. Parei imediatamente de oferecer esse seio, mas continuei ordenhando sempre que possível, para que não empedrasse. Nesse momento achei melhor passar aquela pomada importada, e olha funciona muito! No dia seguinte já estava oferecendo esse peito novamente.

Quando Ben estava com 12 dias, desandou mamar como se não houvesse amanhã. Depois do banho, umas 10h, ofereci o peito e ele simplesmente nunca mais largou! Tinha algumas pausas de 20 minutos e voltava a pedir o peito. Conseguimos dormir das 16h às 17h, mas depois foi peito até umas 23h. Nesse dia eu entendi o que muitas pessoas dizem sobre “leite fraco” ou “insuficiente”. A questão é: ter informação e acreditar no teu potencial de nutrir o teu filho.

No meio do dia encontrei no grupo do Aleitamento Materno o seguinte texto e tudo fez sentido:

“O profissional de saúde e as mães devem estar atentos aos períodos de aceleração do crescimento que toda criança experimenta, e que se caracterizam por um aumento da demanda por leite. Muitas vezes as mães, ao vivenciarem essa situação, acreditam que não estão sendo capazes de produzir leite suficiente para os seus bebês e tendem a suplementar com outros tipos de leite. Esses períodos, em geral, duram de 2 a 3 dias e
costumam ocorrer entre 10 e 14 dias de vida, entre 4 e 6 semanas e em torno dos 3 meses.” Ministério da Saúde – 2012

Bingo! Estávamos passando por um pico de crescimento! No final do dia eu estava um caco! Mas no dia seguinte tudo voltou ao normal.

Ben está completando 21 dias hoje e já voltou ao peso com que nasceu. Amamentação exclusiva e em livre demanda. Mama cerca de 30 minutos cada seio, pelo menos, garantindo que alcance o leite gordo (veja bem, eu nao cronometro nada, é só uma média).

E assim estamos, juntos, aprendendo a cada dia um pouco mais sobre amamentação. Meus seios ainda doem, estão sensíveis, e eu aproveito quando não temos visitas para ficar com eles de fora o tempo que for. E ainda passo leite materno neles de tempos em tempos.

Algumas lições que tirei de tudo isso:

1. Acredite no seu potencial de amamentar o seu filho.
2. Esteja preparada para o dia da descida do leite. Nesse dia, muita massagem e ordenha para não empedrar.
3. Informe-se sobre os picos de crescimento e saltos de desenvolvimento. Se o bebê mudou o padrão de mamadas ou de sono, pode estar passando por um desses dois.
4. Amamentar dói, mas passa nas primeiras semanas.
5. Tudo são fases, e elas passam.

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12 pensamentos sobre “Amamentação: informação é tudo

  1. De, eu nunca senti dor pra amamentar! Doía quando quando o peito enchia! usava a bombinha manual pra ordenhar e aliviava na hora! no início usar a bombinha dói, mas acostuma, e acredito que tenha sido por ela que não tive fissuras!
    No segundo dia em casa do hospital meus seios encheram, lembro que tinha acabado de entrar no banho, eles estavam FERVENDO e duros, deixei bastante água correr e quando saí ordenhei, foi ótimo! Como mãe de primeira viagem me saí muito bem com a amamentação!
    Tu tens aquelas almofadinhas pra botar embaixo do bebê pra amamentar? Senti muita falta em não ter! Usava travesseiro mas nunca era confortável!

    Outra coisa que queria te falar é que: usei o bico de silicone nos primeiros dias pois meu bico é curtinho, foi o que ensinou Otávio a mamar.
    Quer ver um vídeo? Postei no youtube uma dessas mamadas, primeiro estou sem o bico de silicone e ele fica perdido com o seio (bem o que tu mencionou) e depois com o bico de silicone ele pega!

    beijos e desculpe o texto! rsrsrs

    • Então, eu não me adaptei ao bico de silicone. Meu bico é super pequeno também, tod vez que o Ben vai mamar eu tenho que pinçar o peito e enfiar dentro da boca dele.

      Eu tenho uma almofada dessas, ajuda muito! Na primeira semana não tinha, aí usava travesseiros, mas não é a mesma coisa. Uma amiga minha me emprestou a dela, e é uma maravilha!

      Beijos

  2. É isso aí, De!
    Cada vez mais acredito que, com poucas exceções, a gente não nasce sabendo mamar/amamentar. É um aprendizado entre mãe e filho, que requer paciência, disponibilidade, persistência e muito amor. E sim, uma certa tolerância a dor.
    Vou te falar, fiquei meio revoltada com o que a enfermeira te disse. Ouvi coisa parecida na maternidade com o Rapha, e achei o fim. Elas estão lá pra ajudar e acabam desincentivando…
    Parabéns por ter persistido e conseguido. O pior já passou, e agora que você sabe que é plenamente capaz de nutrir seu filho, qualquer dificuldade será resolvida mais facilmente. (Eu, por exemplo, volta e meia ainda sofro com mastites. Mas já sei lidar com elas, o que ajuda a não piorar o quadro.)
    Beijo grande e muito leitinho pra vcs!

    • Oi Ilana, obrigada!
      A dica da pomada de lanolina eu peguei em um post no teu blog. Ela é muito boa mesmo!
      Agora as dores estão diminuindo… e está sendo uma delícia amamentar meu bezerrinho!
      Beijos

  3. Olha, eu sou super a favor de se fazer de tudo para amamentar. Para mim não há conexão maior e não há entrega maior. É uma via de mão dupla: eu nutro minha filha e ela me nutre do seu amor, do seu carinho. Com o tempo, vai ficando delicioso e virando natural, você vai ver. Hoje aos 7 meses ela me faz carinho, pega no meu cabelo, olha nos olhos. Não tem nem explicação de como é bom. Mas não é fácil mesmo, requer muita persistência, dedicação e informação. Graças a Deus mesmo voltando ao trabalho consegui manter a amamentação. Faço ordenhas todos os dias e ela nunca sequer provou outro leite. Para mim isso é fundamental e seguirei amamentando enquanto ela quiser!! : )

  4. Denise;
    Que lindo seu relato de amamentação! Parabéns!
    Ta ai uma coisa que eu nunca tinha ouvido falar, acredite no poder de nutrir o seu filho.
    Uma coisa que eu errei feio, não consegui acreditar, cai na formula rápidinho!
    Faltou informação, apoio, e acima de tudo força de vontade. Coisa que me doí até hoje!
    Beijoss

  5. Pingback: Dificuldades com a amamentação nos primeiros dias | Bem que se Quis

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