O nascimento do Ben

.Preâmbulo.

No episódio anterior, eu comentei que tinha chegado à 39ª semana, e estava me sentindo bem. Claro, tinha alguns desconfortos, mas nada daquela coisa que muitas mulheres relatam que não aguentavam mais o final da gravidez. Bem, hoje devo confessar para vocês que naqueles últimos dias eu estava a poucos golpes de jogar a toalha.

Além de tudo, ansiedade era grande. E as pessoas perguntando sobre o Ben, só faziam piorar as coisas! Um dia antes, de tudo começar, cheguei a mandar um sms para meus pais e irmãs assim: “Queridos, o Ben não chegou ainda e nem dá sinais de que vai chegar nos próximos dias. Quando for a hora, podem deixar que vocês saberão em primeira mão. Estou fazendo o máximo para conter a ansiedade, e a ansiedade de vocês só faz aumentar a minha. Lembrem-se que a data final é 25/12, então tudo pode acontecer até lá. Entendo a preocupação de vocês, mas entendam meu lado. Beijos”.

Tínhamos combinado com minha mãe que ela seria a primeira a saber, pois iria nos apoiar em casa durante o trabalho de parto. E ela então se encarregaria de transmitir a notícia. Meus sogros seriam os segundos a saber, pois moram longe. Então, durante a semana imprimi uns textos para minha mãe ler, para que ela pudesse nos ajudar a o máximo durante o trabalho de parto.

.Dia 1.

Era 15 de dezembro pela manhã, e eu mal conseguia ficar sentada por muito tempo por conta do pé inchado e da dorzinha chata embaixo do seio esquerdo. À tarde, eu tinha dois compromissos: ir a uma festinha que começaria às 13h e mudou para às 15h em cima da hora, e às 17h30 eu tinha que finalmente entregar a cachorrinha para doação.

Durante a manhã, tive que limpar a cozinha duas vezes, pois era o único lugar onde a cachorrinha podia ficar (o resto da casa é da gata), e ela fazia cocô e xixi pela cozinha inteira, e pisava e era aquela lambança. Sei que fiquei nessa função de limpar chão cagado algumas horas.

Acontece que a minha amiga que ia comigo à festinha chegou aqui em casa quase 15h (não a culpo, eu tb não sei se seria pontual com 3 filhos), e ainda tínhamos que enrolar os brigadeiros que íamos levar à festa. Já passava das 16h quando finalmente conseguimos sair daqui para ir à festa. E então, cheia de culpa no coração, pedi para o queridíssimo levar a cachorrinha por mim.

A festinha foi muito legal, conheci várias meninas do grupo de mães do facebook. Conversamos muito sobre o Ben, sobre o parto que eu queria, e eu dizendo que ele chegaria só com 40 semanas completas. Uma hora foi bem desagradável, uma senhora me pegou pelo braço e disse “eu tive três cesáreas, e hoje estão todos bem, já casei dois filhos”. E ficou me cercando com esse papo. Eu só respondia, “que bom, mas eu quero muito que seja normal”, e tal. Me disseram depois que ela é esquizofrênica e eu dei um desconto. Mas aquilo me incomodou um monte!

Durante a festa eu chutei o balde e comi muitos brigadeirosss (nossa, como eu estava com vontade!), bolo de cenoura, cachorro quente, musse de goiaba, bolo de limão. Humm! Até parece que eu sabia que o Ben não ficaria ali dentro por muito mais tempo!

Enfim, foi um dia como seria qualquer outro. Umas 19h cheguei em casa. E o Diego não tinha conseguido levar a cachorrinha, ela teria que passar mais uma noite conosco!

Chegando em casa, fui, claro, direto ao banheiro. Já fazia uns dias eu todas as vezes quando eu me secava, saia algo tipo uma clara de ovo, bem discreta, no papel. Mas eu pensava que era mais um corrimento. Hoje vejo que provavelmente estava perdendo o tampão sem saber! Então, depois que fiz xixi normal, me sequei e coloquei a calcinha. Quando ia sair do banheiro, senti mais um pouquinho de “xixi” vazando. Opa! Sentei novamente, me sequei, sequei a calcinha com papel higiênico, e fui pra sala comentando com o marido. Ele já levantou as duas orelhas!

Então deitei no sofá de barriga pra cima, como sempre, já que era a melhor posição para ficar na sala socializando hehehe. Deu uns minutos e opa! Outro escape de xixi, dessa vez um pouco maior. Fui ao banheiro, fiz dois pingos de xixi e na hora de me secar saiu algo mais: uma coisa consistente cor de sangue. Aí falei para o Diego: “acho que agora a coisa ficou séria”. Troquei a calcinha e coloquei um absorvente.

Resolvi ficar checando de tempos em tempos, e percebi que o absorvente sempre estava meio rosinha. Não ficava encharcado, e nem dava para sentir o cheiro, pois era daqueles perfumados. Umas 22h, resolvemos mandar uma mensagem para nosso GO, perguntando se deveríamos nos preocupar, pois tinha sangue. Como ele demorou pa responder, também coloquei a pergunta no grupo Parto Natural no Facebook.

O GO respondeu para observarmos, e que se aumentasse deveríamos dar uma olhada mesmo. No grupo, responderam que escape de xixi é normal, mas não com sangue. Bom, como não iríamos chamar nosso GO para o parto, decidimos ir para o Hospital, pelo menos ver se tava tudo bem com o Ben.

Por mim, nós iríamos só confirmar que tudo Ok, e voltar para casa. Mas o Diego achou melhor irmos preparados, tomamos um banho, pegamos as malas da maternidade, deixamos comida extra pra gata e pra cachorrinha, e fomos. Demos entrada no Hospital às 12h e pouquinho. E assim começou o dia 2.

.Dia 2.

Chegamos à entrada de emergência do HU, e de lá já fomos encaminhados ao Centro Obstétrico. Tinha três mulheres na nossa frente, mas só uma era gestante, que foi mandada pra casa. Fiquei imaginando que teríamos o mesmo fim. Além do quê, os servidores de saúde do Estado estavam em greve há dois meses, e como o HU é federal, estava lotado pois as outras maternidades não estavam aceitando gestantes!

Bom, não demorou muito e fomos chamados e atendidos pelo Dr. Fernando (coincidentemente, o mesmo nome de nosso GO). Expliquei para ele a situação, ele pediu para me examinar e pediu que eu mostrasse o absorvente. No exame, ele disse que eu estava com o colo grosso, e que aparentemente não tinha estourado a bolsa. Cheirou o absorvente, e disse que não tinha cheiro de líquido (pesar do perfume do absorvente). Então ele inseriu um espéculo, que é aquele instrumento desgraçado usado para fazer o papa nicolau. Segundo ele, na maioria dos casos de bolsa rota, o espéculo se enche de água imediatamente ao ser inserido, e não foi meu caso, então ele disse que provavelmente não tinha rompido a bolsa. Mas aí, na hora de retirar o espéculo ele disse “Opa, agora eu fiquei em dúvida”. Tinha aparecido um liquidinho ao retirar o espéculo. Aí ele ficou em dúvida, e lembrou que o hospital tinha um teste caríssimo que podia ser feito para ter certeza. Saiu, procurou o teste, voltou e falou “vamos fazer esse teste, mas você não conta para ninguém, pois ele é caríssimo e é muito raro usarmos”. Ahahha, na hora eu pensei “mal sabes tu que eu tenho um blog!”.

De tão raro que é fazer esse teste, o Dr. teve que ler o passo a passo na embalagem. E é engraçado que é uma tirinha igual à de teste de farmácia de gravidez, com um desempenho parecido: se aparecer duas tirinhas, é positivo – quer dizer que a bolsa rompeu mesmo! E de tão raro que é ser feito, a estagiária que estava acompanhando o Dr. chegou a tirar uma foto do passo a passo e do resultado ao final!

Bom, no passo a passo dizia que devia-se esperar 10 minutos pelo resultado. Mas em menos de, sei lá, 3 minutos, apareceram duas listrinhas! Então o Dr. falou: “Bingo! Vou ter que internar vocês.”

Inicialmente não teria lugar para mim no Centro Obstétrico, e teríamos que ficar na cadeira de triagem. Mas 5 minutos depois a médica chefe voltou para dizer que tinha vagado o leito 1. Sorte!

Imediatamente foi administrado antibiótico (penicilina) pois o exame de streptococos tinha dado positivo. E depois fomos fazer o cardiotoco, que é um exame que registra os batimentos cardíacos do bebê em paralelo às contrações. Aparentemente eu tinha algumas contrações de treinamento, e tudo certo com o coraçãozinho do Ben. Fomos então para o tal leito 1, onde tinha uma maca para mim e uma cadeira reclinável para o Diego. Lá, conseguimos dormir um pouco. Mas de tempos em tempos vinha uma médica estagiária ouvir o coraçãozinho do Ben e avaliar se eu estava com contrações. E não tinha nenhuma 😦

Umas 8h da manhã, os médicos trocaram de turno e a Dra. Maria Luisa explicou que iria introduzir um comprimido de misoprostol  para amadurecer o colo e favorecer o início do trabalho de parto. Estávamos com 13 horas de bolsa rota, e não tínhamos nenhum indício de trabalho de parto. Seriam introduzidos até 4 comprimidos, com intervalo de 5 horas entre eles.

Assim passamos o domingo. Ao longo do dia, tudo o que eu podia fazer para dar início ao trabalho de parto eu fiz: caminhar. Caminhei por aquele Centro Obstétrico até praticamente fazer um rastro no chão. O espaço era pequeno, então para fazer render as caminhadas eu andava em zigue-zague e entrava em todas as portas. Tudo isso com o Diego atrás de mim carregando o soro. Além de mim tinha mais duas mulheres (meninas, quase) em trabalho de parto. Elas estavam sofrendo com as contrações, e tudo o que eu queria era estar sofrendo como elas! Passei o dia inteiro nessa, e 1 cm de dilatação.

Depois da terceira aplicação de misoprostol, entrou um novo plantão. A Dra. Karine (coincidência, ela foi minha colega de sala no colégio) chegou aplicando oxitocina em todas as mulheres que estavam em trabalho de parto, e eu inclusive. Isso era por volta das 21h. Umas duas horas depois, nasceu o primeiro bebê. “Daqui a pouco somos nós”, eu pensei.

. Dia 3.

Quando a oxitocina começou a fazer efeito, vish! Aquilo sim é um produtinho feito no inferno. As contrações já começam no nivel 6 numa escala que vai até 10. Continuamos com a caminhada pelo Centro Obstétrico, e a cada contração eu vocalizava, fazendo “Aaaaaaaaaa”, às vezes abraçava o Diego, às vezes me apoiava na parede. Fiquei muito na bola também, e  durante as contrações me jogava para trás e era amparada pelo Diego. Essa foi a melhor posição de todas. Assim foram passando as horas. As contrações  cada vez mais fortes, assim como meu aaaAAAAAAAaaaaa ia ficando cada vez mais alto. Não era um Aaaaa sofrido, minha opção foi não encarar essas contrações como um sofrimento. As meninas que estavam em trabalho de parto junto comigo choravam nas contrações, e a impressão que eu tinha era de que isso só deixava as coisas mais difíceis de aguentar. Então eu só vocalizava. Cada contração era uma a menos em busca do meu parto. E o Diego ia cronometrando as contrações. Ele não me falava a quantas estavam, eu só sabia quando a médica perguntava pra ele. Eram 4 a 5 contrações a cada 10 minutos, com duração entra 45 e 65 segundos cada.

Até que às 4h da manhã a Dra. Karine veio me examinar. Esses exames eram a pior parte, pois para isso eu tinha que estar deitada, e passar pelas contrações deitada é a pior coisa. Os toques também eram super doloridos. Ainda bem que foram poucos. A Dra. Karine chegou comentando: “A colega aqui ao lado está com 7cm de dilatação, vamos ver como vc está!”. E eu toda otimista, as contrações estavam já num nível 9.

Foi quando recebi o balde de água fria: “Três centímetros”, a médica falou. Nessa hora eu entrei em desespero. Comecei a chorar desconsolada e confessei: “Eu não aguento mais!!!”. Então ela disse: “Denise, vamos ter que te operar”. E nessa hora eu chorei mais ainda, não sei o que era pior. Saber que ainda faltava muito e que as contrações ficariam dali para pior, ou saber que eu teria que fazer uma cesárea. As duas opções doíam muito!

Então a Dra. Karine explicou que trocaria de turno com outro médico, Dr. Paulo, e que ele faria o procedimento. E desligou a máquina da oxitocina. Eu só fazia chorar. Não acreditava que tinha chegado até ali para cair numa cesárea. Um filme passava na minha cabeça, tanta coisa que passei, tanto esperei por esse momento. Como me doía!

O Dr. Paulo foi o médico menos “simpático” de todos os que nos atenderam. Chegou, não falou nada, não explicou nada, e ficamos esperando quando ele chamaria para a cesárea. Até que o Diego resolveu ir perguntar. Ele veio conversar conosco, e avaliar o coração do Ben. Perguntou quando eu tinha comido pela última vez. Como fazia menos de 8 horas, ele disse “Bom, como não é uma  cesárea de urgência, não tem por que eu te operar agora. Vamos esperar dar 8 horas?”. Eu olhei para o Diego e ele foi fantástico: “Bom, eu fui escalado para ser aquela pessoa que ia te convencer a continuar até o fim. Mas se tu quiseres fazer a cesárea agora, eu te apoio também.”. Então decidimos esperar.

Sem a oxitocina na veia, conseguimos dormir umas duas horas. As contrações sem indução eram totalmente toleráveis, e eu as sentia dormindo. Doíam, mas eu quase nem acordava quando vinham.

Pela manhã, o Dr. Paulo veio examinar. Para nossa surpresa, tínhamos evoluído sem a indução: estava com 4 centímetros! Inicialmente a cesárea estava marcada para às 8h da manhã. Mas como evoluímos, o Dr. Paulo resolveu tentar novamente a indução. Foi nossa segunda chance!

A indução começou leve, e a cada tanto tempo a dose era aumentada, assim como as dores das contrações. E o Ben era avaliado a cada meia hora. Fiquei um pouco na bola, mas logo pedi para ir para o chuveiro. E que bênção! No chuveiro, sentada na bola, eu recebia a água nas costas, e quando a contração vinha eu me jogava para trás e recebia água na barriga. Desse jeito as contrações eram quase imperceptíveis. Eu sentia ela vindo, me jogava para trás, e só sentia novamente quando estavam indo embora. Muito bom! Tão bom, que fiquei lá por 1h30.

Então chegou a hora de ser avaliada novamente. Saí do banho, deitei na cama. A Dra. Maria Luisa já tinha voltado ao plantão! Aliás, as pessoas voltavam, nos viam lá e perguntavam: “ainda por aqui?” Hehehe… Então a Dra. Maria Luisa fez o toque, me olhou não muito animada e disse: 4 para 5 cm. Eu, otimista que sou, fiquei feliz pelo progresso!

Voltei a sentar na bola, e me jogar para trás no colo do Diego quando as contrações vinham. Mas eu estava atenta. Chegou a hora do almoço, e eu ouvi uma médica falando que “a do leito 1 não iria almoçar”. Comecei a desconfiar. Todos os médicos estavam reunidos no lado de fora da sala de pré-parto. Até que outra médica (que não tinha me atendido até então) veio me dar a pior notícia: “Mocinha, nós já fizemos de tudo, a dilatação não evolui. Vamos ter que fazer uma cesárea, tá?”. A Dra. Maria Luisa não teve nem coragem de vir me falar! E eu, obviamente caí em prantos! Desabei, mesmo. Porque eu já não aguentava mais. Mas eu não queria terminar assim. Queria o meu parto! Queria parir! (choro ao escrever isso). Mas, já estávamos há 42 horas com a bolsa rota.

Desligaram a oxitocina. E eu chorava porque as contrações continuavam! Eu parecia uma criança pequena chorando. E o Diego foi ótimo. Ele só dizia que eu tinha sido maravilhosa, e que agora eu tinha que ficar feliz porque tinha chegado a hora de conhecer nosso filho. Ele foi sensacional em todos os momentos, foi essencial tê-lo ao meu lado durante esse processo, me apoiando, me animando, me abraçando. Como eu o amo!

. A Cesárea.

Fui caminhando para o centro cirúrgico inconformada. O Ben mexia muito dentro de mim (lembro que pensei “pelo menos ele não vai estar dormindo quando for nascido”). Deitei na maca, a médica teve que me pedir duas vezes para relaxar enquanto tentava me dar a anestesia. Detestei cada um dos procedimentos. Aquele tapume na minha frente, as mãos amarradas (ainda perguntei se não podia ficar com as mãos soltas, me disseram que não), todas aquelas pessoas conversando. Alguém perguntou qual havia sido a indicação daquela cesárea, e alguém respondeu: “falha na progressão”. Começaram a operação e o Diego não estava lá ainda. Eu só chorava, e perguntei onde ele estava, entre um soluço e outro. Me disseram que ele já vinha. Lembro que pensei em voz alta: “não entendo como alguém escolhe passar por isso por opção!”.

De repente o Diego entrou. Sentou ao meu lado, segurou a minha mão e ficou olhando nos meus olhos. Me passando segurança, e eu acalmei um pouco. E então tiraram meu bebê de dentro de mim! Ele já nasceu chorando muito (e fazendo xixi e cocô). A anestesista falou para eu olhar para ele, mas nessa hora senti uma dor absurda no pescoço, não conseguia olhar para o lado, e isso me deixou ainda mais desesperada! Eu só chorava. Até que enrolaram ele e colocaram seu rostinho colado ao meu. Grandes coisa! Quem consegue ver alguma coisa tão de perto?

Levaram ele para a sala ao lado, o Diego foi junto. E eu fiquei para ser fechada. Esse momento parece que não acaba nunca! Uma enfermeira veio de lá para informar: 4 quilos e 15! Todo mundo ficou impressionado. O Dr. comentou “que não parava de sair bebê” hehehe… Eu perguntei quantos centímetros, e ela voltou lá para conferir. Depois voltou: 52 centímetros! Meu bebezão!

(Depois de uns dias o Diego me contou que a pediatra falou para ele: “esse bebê não ia encaixar nunca, olha o tamanho dele!”. E isso que tem me consolado desde então…).

Bom, já na recuperação trouxeram o Ben para ficar comigo, e já colocaram ele no peito! Ele sugava muito, com muita força! O problema é que colocaram ele errado, e fez uma bolha de sangue no meu seio (mas isso é assunto para outro post!).

Fiquei namorando meu Benzinho enquanto esperava passar o efeito da anestesia. Que bebê lindo, minha gente, como eu esperei por esse momento! Não foi do jeito que eu sonhava, mas foi da melhor forma possível dentro das circunstâncias…

.Extra 1.

No domingo de manhã, o Diego foi em casa não lembro fazer o quê. Chegando aqui, o caos: a cachorrinha tinha feito o maior escarcéu na cozinha, subido na mesa, quebrado copos, comido de tudo, cagado, mijado, pisando e espalhando caca por tudo! Agora imaginem o pobre, depois de uma noite insone, chega em casa e tem que fazer uma faxina! Uma das poucas vezes que o vi puto na minha vida! Depois disso, liguei pra minha mãe e encarreguei ela de resolver o assunto cachorrinha!

.Extra 2. 

Nessa história de greve nos hospitais, tivemos mais um momento de sorte: quando eu estava entrando no centro cirúrgico, a equipe recebeu um telefonema informando que tinham conseguido encaminhar 5 mulheres com seus filhos para outro hospital, assim abrindo 5 novas vagas na enfermaria. Não fosse por isso, teríamos que passar um bom tempo na sala de recuperação esperando vagar. Esse Ben é um carinha de muita sorte.

.Extra 3. 

Digo a quem quiser ouvir e repito: eu passaria por outro trabalho de parto com indução, mas não passaria por outra cesárea! Aliás, já saí da cesárea pensando em vbac 😛

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20 pensamentos sobre “O nascimento do Ben

  1. Ainda bem que vc mandou a tal mensagem! Realmente a ansiedade da família é a pior “bomba” pra uma mãe já ansiosa e prestes a dar a luz! eu que o diga!!!
    Menina, nem acredito que vc teve que passar por uma cesárea, pelo menos não foi enganada por nenhum médico! Glória!
    E o importante é que vcs estão ben, e que tudo ficou ben!
    Muitas alegrias virão de agora em diante!
    Beijo e muitoooo leite! ❤

    • Oi Tamires, eu tb demorei muito para me conformar… Alias, acho que ainda nao me conformo com a cirurgia. Olho para a cicatriz e fica pensando pq???
      Mas sei que fizemos o possível e isso me consola…

  2. Ontem mesmo estava comentando, que Deus ajude e o corpo também q o próximo baby tb seja parto normal. To contigo: como alguém escolhe passar por isso, né…
    Ele é lindo, lindo!! Muita saúde pra vcs!!

    beijo!

  3. E que venha o VBAC!! Que chato que as coisas não saíram como o planejado, mas veja os pontos positivos: foi cesárea, mas pode ter certeza de que o Ben sabia que tava na hora de nascer, e deu sinais disso! Nem se compara a uma cesárea eletiva… E, nessas horas, que bom que existe a cesárea, né? Sem ela, ia depender da sorte ele nascer bem. E ele está aí, saudável! Isso é o mais importante! Vc já conversou com o seu GO para ver a opinião dele sobre esse processo, se era isso que tinha que acontecer? Pode ser que ele te console também. E sobre o HU, foi positiva a experiência? Parabéns por ter lutado até o fim, e feito tudo o que foi possível pelo seu objetivo!

    • Oi Elisa,
      pois é… já comecei a maternidade aprendendo que nem tudo podemos controlar! Mas é bem isso, ele nasceu quando bem entendeu, e eu fiz de tudo para que fosse natural…
      Vou consultar com meu GO na próxima semana, pretendo conversar com ele sobre o parto, mas dá um medinho de pensar que algo poderia ter sido diferente, viu?

      Sobre o HU, estou pensando em fazer um post especial sobre isso. A experiência foi ótima! Todas as equipes que nos atenderam foram super atenciosas, o alojamento conjunto é simples, mas tem um exército de profissionais à disposição, sem falar que em outro lugar dificilmente esperariam 42h de bolsa rota, né?

      Beijos

      • Oi Denise, obrigada pela resposta! Vou esperar ansiosa o post sobre o HU 🙂 Tem uma coisa que eu posso ter entendido errado, então vou perguntar. Quando chegou a médica colocando ocitocina, ela realmente colocou em todas as parturientes? Mesmo naquelas que estavam progredindo naturalmente – ou nenhuma estava? É rotina deles usarem ocitocina em todas? Se eu estivesse progredindo e chegassem com ocitocina pra cima de mim, acho que eu sairia correndo pra rua com camisolinha do hospital mesmo hauhauha

      • Oi Elisa, não sei direito como estavam as outras mulheres. Além de mim, eram só mais 2 em trabalho de parto.
        Mas pelo que percebi lá, tudo pode ser conversado. Eles explicam tudo, desde que tu perguntes, e se não quiser algum procedimento acredito que eles aceitem.

  4. Oie!

    uma pena vc ter q passar por esses sentimentos viu.. ;\
    mas que bom que no fim deu td certo e o ben tb esta bem!

    so gostaria de te perguntar duas coisas..se vc quiser responder eh claro.

    1. vc disse q deu um material pra sua mae ler, q tipo de material?
    podes disponibilizar eles? achei interessante. logo logo passo por isso.
    e sabe, me preocupo mto nessa questao da familia e tal…da ansiedade deles influenciar na nossa afff

    lembrei de outra pergunta, qd vc foi pro hospital e viram que teriam q ficar internados, quando que vc avisou sua familia?

    e a 2 pergunta seria, algum dos medicos q vc consultou eh o dr fernando puppin? qd vc mencionou q ele seria seu GO em um posto, achei q era ele, mas qd vc mencionou de outro fernando no HU dai fiquei pensando…confusa…ashuihasuihaihiashisa

    se der pra responder eu vo ficar bem feliz 🙂

    beijokasssssss e boa recuperação total e um bom desenvolvimento pro ben, que por sinal eh lindo!!!!!!

    • Oi Juh,
      claro que posso responder às tuas perguntas!

      1. Eu imprimi um texto de um blog chamado “Como o marido pode ajudar no trabalho de parto”, e falei pra ela “substitua o ‘marido’ pela ‘mãe’hehehe… É um texto bem simples, se quiseres está aqui: http://espacobemnascido.blogspot.com.br/2011/12/como-o-marido-pode-ajudar-na-hora-do.html

      E sobre avisar a família, como fomos à meia-noite para o hospital, preferimos não acordar ninguém. Até porque não sabíamos quanto tempo tudo ia levar. Então esperamos acordar no dia seguinte (leia-se: às 6h) e enviamos uma mensagem para nossos pais. Dos 4, só minha mãe mora aqui, então ela ficou de prontidão e foi algumas vezes na porta do HU conversar com o Diego. Já tínhamos comentado com eles que não adiantaria irem para a porta do Hospital, pois não haveria nada que eles pudessem fazer.

      2. O meu GO é o Fernando Pupin, sim. Mas no HU fomos coincidentemente atendidos por outro Dr. Fernando. O Pupin dá plantão no HU, mas não estava lá nos dias em que nós estivemos…

      Beijos e obrigada!

      • hummmmmmmm

        entendi tudo!!!

        muito obrigada!!!! me ajudou bastante hahaha
        vou ler a materia e qm sabe passar pra sogra haiushiuashihsauhs

        meu GO tb eh o Fernando Puppin 😉

        beijos e brigada pelo retorno!!

        :***

  5. De, chorei aqui junto com você… Seu relato é lindo.
    Você é uma guerreira!
    O Ben já chegou escancarando um dos aprendizados mais importantes e difíceis da maternidade (no meu ponto de vista, claro): não podemos controlar tudo.
    Eu me identifico muito com você, apesar dos meus partos terem sido completamente diferentes. Mas entendo sua frustração, o sentimento de impotência, uma certa indignação – ainda hoje sinto tudo isso na carne, literalmente. E compartilho da sua perplexidade: como alguém pode deliberadamente escolher passar por isso???
    Não vou repetir o que você já deve ter ouvido por aí: o mais importante é que você e o Ben estejam bem e blablabla, apesar de ser verdade.
    Querida, espero que você tenha uma recuperação fácil e rápida, e desejo muita saúde pro Ben.
    Curta muito e aproveite cada segundo com ele, passa rápido demais!
    Um beijo grande

    • Ilana,
      acho que a recuperação ficou mais dolorida porque era algo que eu não estava preparada para passar. As cesaristas de plantão que dizem “no dia seguinte já estava fazendo faxina”, encaram mais facilmente as dores do pós-operatório.
      Eu não, a cada dor que eu sentia eu chorava por dentro por ter que passar por aquilo que eu tanto reneguei ao longo da gravidez!

      Mas é isso mesmo, o Ben me provando que não posso mais controlar as coisas. Veja só, eu não queria que ele nascesse em dias ímpares, especialmente 11, 13, 17 e 23 ahahaha… TOC mesmo! E ele fez que fez que passou o dia 15, o dia 16 e nasceu justo no dia 17!

      Beijos e obrigada!

  6. Denise, li o seu relato e revivi bastante do que eu passei! Eu me emocionei aqui só de lembrar! No meu caso, tive que induzir o parto porque não tinha contrações, nem dilatação e estava de quase 41 semanas e com pré-eclampsia. A grande sorte que eu tive é que mesmo induzindo, consegui ter um parto normal depois de 12hs.
    Mas sofri muito antes por ter que induzir, pois queria ter começado meu trabalho de parto em casa, ter sentido tudo, sabe? Fiquei muito ansiosa.
    Acho que você não deve se culpar, pois aguentar tantas horas de contração não é para qualquer uma! Eu sei bem o que é com a ocitocina e o miso! rssss
    Você fez o seu melhor e, simplesmente, não deu. Teve que ser desse jeito e o importante é que o Ben chegou lindo e saudável! Parabéns!
    A gravidez começa a nos ensinar e agora vejo que a maternidade é a grande escola para aprendermos que não temos mesmo mais o controle de tudo, como disse a Ilana.
    Parabéns pelo Ben!!!!!!!!!!

  7. Senti em cada palavra um pouquinho dos teus sentimentos em relação ao parto. Como a Ilana disso… tu é uma guerreira! Meus dois partos foram muito rápidos e fico imaginando como é passar horas e horas em TP. Deve ser incrivelmente cansativo e doloroso. Mesmo assim, tu enfrentou, tudo em busca do teu objetivo e do teu parto. Infelizmente, não foi possível. Mas tô na torcida por um VBAC! Beijos e parabéns, mais uma vez!

    • Oi Nanda, obrigada!
      Eu sempre mentalizei para ter um parto como os teus, a jato… mas não dei sorte.
      O bichinho era muito grande, e eu com quadril estreito não consegui pô-lo pra fora 😦
      Paciência, temos que nos esforçar para fazer um miudinho da próxima vez! Ahahaha…

      Beijos

  8. Oi, Dê! Estava tão ansiosa por esse relato. Eu sempre me identifiquei muito com a sua busca pelo parto normal e queria muito saber como vc tinha passado pela cesárea. Menina, eu sofri aqui junto com vc. Com o agravante que eu não tenho o Ben aqui pra cheirar e amenizar a angústia. Rsrsrs Então olha muito pra ele, cheira muito, aperta muito (devagarinho) pra cada vez ter mais certeza de que fez o que pôde. Eu acho que além de aprender a não controlar tudo, vc passou por outro aprendizado de que o bem estar do filhote é a prioridade absoluta. Vc pode não ter tido o parto dos seus desejos, mas o Ben teve o melhor parto para o bem estar dele.
    Um beijo querida, e que essa cicatriz seja o símbolo da luta que vc venceu ao ser respeitada no seu parto.

  9. Pingback: Relato sobre a maternidade do HU | Bem que se Quis

  10. Meu Deus!!! Foi IDÊNTICO ao meu parto! Até na parte do “Não aguento mais!” Kkkkkk…Muito engraçado, parece que tava lendo o meu relato. Também tive bolsa rota por horas, streptos positivo e depois de vários comprimidos e antibióticos me colocaram o sorinho do mal 😦 . E depois de algumas horas com ele e com 2(!) cm de dilatação, 48h sem dormir pedi arrego. Pior decisão! Deveria ter esperado, minha recuperação foi péssima! Acho que teve muito a ver com o psicológico pois quando cogitaram cesária eu caí em prantos :/
    Não desejo pra ninguém e hoje defendo ainda mais o parto normal. A diferença é que não penso em um segundo filho…hehe 😉

    • Juliana, eu já me conformei que o Ben era grande demais pra sair… porque minha amiga teve bebê 14 dias atrás desse mesmo jeito e a dilatação evoluiu, ela conseguiu parir. Ainda me entristece… mas paciência…

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