Uma visita ao Hospital Universitário

Aqui em Florianópolis temos um hospital universitário que é considerado referência em humanização do parto. Uma vez por mês, eles fazem um encontro com casais grávidos (enfatizam muito que a presença do pai é importante) para uma palestra de apresentação. Os encontros acontecem sempre na primeira terça-feira do mês, e duram cerca de três horas. Não precisa inscrição, basta comparecer.

Chegamos lá levemente atrasados (apesar de morarmos a 3 minutos de carro, nos atrapalhamos para encontrar vaga) e então perdemos a apresentação da equipe. Mas sei que apresentando a palestra tinha duas obstetras, enfermeiras e enfermeiras obstétricas. Havia cerca de 30 grávidas, algumas com maridos, outras com a mães, e poucas sozinhas.

Na apresentação, a equipe informa sobre os procedimentos humanizados realizados pelo hospital, e a seguir abre para algumas dúvidas. As dúvidas são as mais variadas, desde “o pai pode filmar o parto” até “podemos pedir para que não seja dado banho logo após o nascimento?”. A seguir, dão uma breve aula sobre amamentação, que achei muito esclarecedora. Servem um lanche, e então começa o tour pelo hospital.

Eu tinha três perguntas previamente elaboradas para fazer, mas todas foram respondidas antes que eu precisasse perguntar. Pontos que achei importantes:

– Não se faz episiotomia (o famoso “pique” na vagina para ajudar o bebê a nascer), tricotomia (raspagem de pêlos) e aspiração (vias aéreas do bebê) de rotina.

– Não posso pedir para que não seja pingado o colírio de nitrato de prata (que previne conjuntivite) pois é exigência do Ministério da Saúde. A vitamina K é injetável.

– O pai não pode filmar o parto pelo simples fato de que ele está lá para ajudar a mãe. Só permitem que seja filmado o banho, pois assim o pai pode acompanhar e aprender a dar banho (ah, o banho não pode ser adiado).

– Um receio muito comum em hospitais-escola: somente um profissional vai fazer o exame de toque na gestante, seguindo o cronograma do partograma.

– O bebê vai imediatamente para o colo da mãe após o nascimento, mas não se espera o cordão parar de pulsar para cortar. Pode-se conversar com a equipe, e se estiverem dispostos, eles podem topar esperar. Pode-se pedir para o pai/acompanhante cortar o cordão.

– O bebê só é separado da mãe alguns momentos após o nascimento, para pesar, medir, banho, colírio e vitamina. Depois, vai para o colo da mãe e não separa mais.

– Como o hospital está em reforma, o alojamento conjunto possui nove camas separadas por cortinas. Os acompanhantes devem ficar em uma cadeira de plástico (ponto negativo, o normal é terem 8 quartos para duas pessoas + poltronas para os acompanhantes).

– A amamentação é incentivada ainda na sala de parto (o hospital é Amigo da Criança).

– A sala de parto normal é diferente da sala de cesariana (centro cirúrgico)

– A sala de parto normal tem uma cama especial que possibilita o parto de cócoras.

– As luzes da sala são apagadas, e ficam apenas uns focos próximo da saída do bebê.

– A sala de pré-parto tem um corredor cheio de recursos para ajudar a aliviar as dores do trabalho de parto: bola, puffs, cavalinho, barra na parede, além de um chuveiro com bola que também pode ser usado. Na parede, tem um painel com dicas para o alívio das dores sem medicamentos. O pai/acompanhante fica junto o tempo todo.

– Eu posso levar um plano de parto, mas isso vai depender da equipe que me atender e se terão tempo para lê-lo.

– Também por causa da reforma, o tempo de internação tem sido de apenas 24 horas se a mãe e o bebê estão 100% (incluindo iniciação à amamentação).

Fiquei muito feliz com o que vi lá. Equipe atualizada, hospital equipado, procedimentos humanizados. Tudo pelo SUS.

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11 pensamentos sobre “Uma visita ao Hospital Universitário

  1. Olá! Embora eu more no RS gostei muito das tuas informações. Desculpa a ignorância, mas é possível ter o parto humanizado pelo SUS? Ou só particular/ convênio?
    bjs!

    • Então, vai depender muito da linha seguida pelo hospital e seus profissionais. A outra maternidade pública que temos aqui não é nada humanizada… tem que conhecer bem antes!
      Bjos

  2. Uau! Adorei saber disso, estou tentando engravidar e moro aqui em Fpols e curti muito em saber que há opção SUS de PH, mto bom mesmo!

    E obrigada por compartilhar a sua experiencia conosco 🙂

    bjs

    lua

  3. Nossa! Que ótimo, De! Parece ser uma ótima opção. Acho que com menos intervenções, só se fosse um parto domiciliar. rsrs
    Boa sorte!! Desejo do fundo do coração que você tenha um parto exatamente conforme o seu plano de parto.

  4. Eu tbm visitei o hospital onde meus filhos nasceram. Foi algo que ajudou a aliviar um pouco da ansiedade no final da gravidez. Deixa a gente mais segura, ainda mais se as coisas são de acordo com o que a gente acredita e espera!

    Beijos, Ananda.

    • Nossa, é bem isso. Eu fiquei bem mais tranquila depois que visitei o HU. Agora falta visitar a outra maternidade, a particular, que será nosso plano B.
      Bjos

  5. descobri teu blog meio que por acaso no meio dessa doideira toda da maternidade bloguística

    depois de ler uns 2 ou 3 posts me dei conta de que tu também mora em floripa e, mais ainda, que também se consulta com o fernando! é capaz de já termos até nos cruzado pelos consultórios da vida haha

    meu nome é luiza, 25 anos, grávida pela primeira vez, faceiríssima e prestes a descobrir o sexo do bebê (13 semanas ontem).

    enfim

    quis escrever porque adorei as coincidências e porque estou justamente na fase de pensar em maternidades e partos

    fernando é um amor, mas que careza!

    o dinheiro arruma-se, evidentemente, mas fico sempre me perguntando até que ponto é necessário este gasto

    não será um capricho?

    queria ter na ilha, normal, humanizado, o pacote todo

    ou no hu. mas ainda me dá um certo receio isso de hu. de repente é até preconceito…

    em todos os casos, bem podre ter um plano de saúde caríssimo, pago em dia desde sempre pra, justo nessa hora, ter que se organizar com dinheiros extras

    é uma longa discussão… ainda estou um tanto perdida neste quisito. estou com marido programando as visitas às duas maternidades. aí acho que tudo clareia um pouco. e fico também, claro, esperando pelo teu post sobre a ilha (é a ilha o teu plano b?).

    parabéns pelas coisas todas. o bebê, o blog, o chá, as escolhas. tudo muito bonito!

    um beijo,
    Luiza

    • Oi Luiza! Bem vinda ao mundo gravidistico!
      Eu adoro o Dr. Fernando, principalmente a tranquilidade dele. Mas já estamos pensando se vale mesmo a pena chamá-lo para o parto, pois num momento com tantos gastos, né?
      A Ilha é nosso plano B. Mas nesse caso, dependendo do plantonista vamos acabar chamando o Dr. Fernando. Aí, já viu né… passa boi passa boiada (chamado, apartamento, etc., etc….).
      Pretendo ir à Ilha em breve, daí volto aqui para contar, pode deixar!
      Beijos e obrigada pela visita!

  6. Pingback: Em busca do parto normal (parte 4) « Bem que se Quis

  7. Pingback: Relato sobre a maternidade do HU | Bem que se Quis

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