De como eu nasci e porque acredito no parto normal

Semana passada, conversando com minha mãe, ela comentou como achava deliciosa a sensação de estar grávida. Eu comentei: “deve ser por isso que tu ficou tantas vezes, hein?”. Ela riu.

Detalhe: minha mãe tem 5 filhos, todos de parto normal, sendo que as duas ultimas são gêmeas ( eu e minha irmã). Segundo ela, sempre teve partos muito tranquilos, e não lembra de ter sofrido. (isso que depois meu pai me contou que no parto da minha irmã mais velha ela ficou dois dias em trabalho de parto e perdeu horrores de sangue.)

Então resolvi perguntar como tinha sido o meu parto. Em detalhes, né, porque nesses 30 anos, já ouvi diversas vezes, é quase um folclore aqui em casa. Achei legal compartilhar aqui.

Primeiro, vamos voltar alguns meses no tempo. Meus pais, aos 26/27 anos já tinham três filhos: Elisa, com quase 5; Aline, com quase 4; e Delman Sérgio, com 2 e meio. Todos nem um pouquinho planejados.

Ao final de 1980, minha mãe decidiu que era hora de fazer laqueadura. Foi ao médico, e ele sugeriu que ela esperasse o período de festas para não passar esse tempo em repouso. Em janeiro, quando voltou para a consulta, descobriu que estava grávida novamente! Santa fertilidade!

Aos três meses, ela foi ao médico: “Doutor, eu tenho alguma coisa além desse bebê. Já estou andando feito uma pata!”. Então ele falou que quando completasse seis meses, fariam um ultrasom e veriam o que podia estar acontecendo – naquela época, só se fazia ultrasom com seis meses.

Chegada a hora, descobriram: a outra “coisa” que minha mãe tinha era outro bebê! Como cada bebê estava em uma bolsa diferente, deduziu-se que era um casal: a Ana Luísa e o André Luís (como já contei aqui).

Já que se tratava de uma gravidez gemelar e minha mãe queria fazer uma laqueadura, seu médico decidiu então que fariam uma cesariana no dia 29 de setembro. Mas nós tínhamos outros planos.

No dia 7 de setembro, minha mãe conta que foi levar meu irmão ao banheiro e por lá ficou: a bolsa tinha estourado!

Ela já sabia que o medico dela ia estar viajando nesse dia, mas ele disse que sua equipe era ótima. Então, chegando à maternidade, o medico substituto falou: “nao vou perder um espetáculo desses, ver gêmeos nascendo de parto normal, para fazer uma cesárea!”. Como minha mãe já estava em trabalho de parto, foi feito de tudo para ela ter normal.

Não demorou muito, e minha irmã nasceu. Às 23h25 do dia 7 de setembro de 1981 nasceu a Ana Luísa, com 2,8 kg. A seguir o médico anunciou: “Agora vou precisar muito da sua ajuda, pois o bebê está sentado!”. Foi um momento de tensão, pois já tinham detectado que meu coração era “mais fraquinho” (até hoje tenho “sopro”). Levou mais cinco minutos – uma eternidade em um parto de gêmeos – para que eu nascesse. Cheguei ao mundo pelos pés, às 23h30 do dia 7 de setembro de 1981 pesando 3 kg. Não era o André Luís, e por isso dizem que fiquei quase uma semana sem nome!

Trinta anos atrás, uma gestação gemelar, dois bebês grandes, um gêmeo “com coração fraquinho” e sentado. Nada disso foi desculpa para levarem minha mãe para o centro cirúrgico.

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8 pensamentos sobre “De como eu nasci e porque acredito no parto normal

  1. Mexeu comigo, sabia? Linda a história da sua mãe! Fico aqui pensando com meus botões: tive um primeiro parto normal bem tranquilo, e daria tudo pra ter outro igual (talvez com um pouco menos de intervenções, é verdade), mas então meu baby está pélvico, e eu não tenho coragem…
    Vamos torcer pra ele virar, dizem que tudo pode acontecer, né?
    Beijos

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