Ser tentante é viver num limbo [reblogando]

Este post é candidato ao concurso “O melhor post do mundo da Limetree” 

limetreeQuando uma mulher descobre que está grávida, um mundo inteiro, novinho em folha se abre na frente dela. A partir daí, ela muda o foco e passa a pensar mais globalmente, suas decisões tornam a ter outras prioridades, e novas escolhas precisam ser feitas. Quando ela descobre que está grávida, tudo tem um novo prazo, existem as coisas a serem feitas agora, aquelas que precisam ser providenciadas até a data do parto e aquelas outras que têm que esperar para uma outra estação. Apesar de ser um mundo novo, ele é altamente palpável e possivelmente planejável. Quer dizer, isso tudo é o que eu imagino, porque ainda sou uma mera tentante.

Eu particularmente nem simpatizo muito com o termo tentante. Mas como mais poderia ser? Quando uma mulher decide ficar grávida, ela entra em uma nova categoria de vida. Uma categoria criada provavelmente por outras mulheres nesta situação, e que, por ainda não serem mães, mas também não serem totalmente não-mães, precisavam se encaixar em algum perfil. No mundo das tentantes, tudo isso habita o plano das idéias, tudo são possibilidades. Poucos planos concretos podem ser feitos; e até mesmo aqueles que se fazem quando não se têm filhos acabam ficando em stand by, porque… vai que?

E daí a gente navega por blogs de mães e grávidas e fica imaginando se faria igual;

E então a gente fica com receio de postar qualquer comentário, pois ainda não é gabaritada para dar opinião;

E daí a gente não sabe se vai ficar grávida no verão ou no inverno;

E então a gente não pode nem arriscar comprar nada, porque não sabe se vai ser verão ou inverno quando o bebê tiver tamanho para usar aquela roupinha super fofa daquele site mega badalado;

Mas bem da verdade, vamos combinar que a gente não é tão louca assim que vai sair comprando roupinha para um bebê imaginário;

E daí a gente não sabe como vai ser o ano que vem;

E então a gente não sabe se pode ou não marcas aquela viagem massa que as irmãs estão programando de fazer só as quatro (sim, quatro!);

E daí a gente acompanha de longe as amigas que vão tendo filhos;

E então a gente fica dando opinião e sugestões para essas amigas, com base em tudo o que leu e estudou por aí;

Porque a gente ainda não é mãe, mas a gente tem uma vontade enorme de ser, e na nossa cabeça já somos, o que nos gabarita o suficiente para sentir, pensar, refletir, opinar com tal.

Ser tentante é viver num limbo. Mas não é um limbo do mal. É um limbo do bem. Daqueles habitados por sonhos, de bebês fofinhos e cheirosos (sic), de uma vida em família, e por uma gostosa expectativa de imaginar a nova vida que está por vir.

Quando a gente é tentante, a gente já é mãe sem ser.

(Este post  foi publicado originalmente no dia 12/04/2012 no site Minha Mãe que Disse e está sendo reblogado para participação no concurso “Melhor post do mundo” da Limetree)

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