Uma vida em bandos

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Boa parte das nossas vidas vivemos em bandos. Desde quando iniciamos a vida acadêmica, aos 5, 6, 7, até completarmos a maioridade, existe um caminho pré-determinado e que se espera que seja percorrido: o primário ensino fundamental 1, o ginásio ensino fundamental 2, o 2º grau ensino médio, a faculdade.

E durante todo esse tempo, pensamos, agimos e sonhamos com coisas que são peculiares ao nosso bando. Temos desejo de andar como os outros exemplares do bando. Na faculdade, deixamos aquele bando adolescente de lado, tão somente para adentrar outro bando: aquele de estudantes universitários de quem é esperado que estudem, façam estágio, namorem, façam festas, e consigam um primeiro emprego nessa nova área de atuação.

Alguns de nós permanecemos no bando dos universitários alguns anos depois de formados, percorrendo o caminho “esperado”: buscar um emprego, mudar de cidade, juntar os trapos com alguém e eventualmente vezes casar. Esse bando de universitários vai seguindo um curso parecido, entre sucessos e fracassos amorosos e profissionais. Sem muita estabilidade, mas com muita força de vontade e muitos sonhos.

Eu acredito que é somente quando decidimos ter filhos (seja planejado, seja no susto) é que nos desgarramos do bando dos universitários e de todas as suas amarras, preceitos, preconceitos e expectativas. Damos um passo para fora desse e de todos os bandos que nos acompanharam até então, trazendo conosco somente o que é melhor de cada um.

Nessa hora, abrimos mão de coisas que nos trouxeram até aqui, sejam elas criadas seja provocadas por nossos bandos anteriores, para criar nosso próprio brand new bando. E ele vai ter sim um pouco de nossa trajetória, mas ele é todinho novo, e vai ser do nosso jeito.

É claro que a partir daí adentramos um outro extraordinário bando, mas muito mais heterogêneo, que é o bando de pais e filhos. E é nesse bando que quero entrar agora.

Me livrando das amarras e preceitos dos meus bandos anteriores, decidi ter um filho sem esperar aqueles grandes e supostos “marcos” da vida adulta. Ok, já viajei o mundo, já encontrei o amor da minha vida, comprei um carro,  já tenho uma casa para chamar de minha (embora não própria), um emprego estável, estou terminando a pós-graduação. Será que preciso ultrapassar mais algum marco para que meus bandos anteriores aceitem esta decisão?

Isso é desgarrar-se do bando: diminuir o peso da opinião alheia e multiplicar o peso dos próprios desejos.

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2 pensamentos sobre “Uma vida em bandos

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